Sociedade

Médico alemão explica o que se sabe das reações raras à vacina da AstraZeneca

A EMA pronuncia-se na próxima semana.

Andreas Greinacher, médico e professor da Universidade de Greifswald, na Alemanha, explicou em videoconferência com jornalistas, esta quarta-feira, o trabalho que tem sido desenvolvido pela sua equipa, que descobriu nas últimas semanas uma relação entre os casos de tromboembolismo raros e a vacina da AstraZeneca.

A Alemanha, onde foram admnistradas 3,8 milhões de doses da vacina  da AstraZeneca, regista 25 casos. Ontem, a EMA manteve a recomendação de que os benefícios da vacina superam os riscos, mas admite agora que a relação causal entre a vacina e estas reações graves de tromboembolismo associado a baixa de plaquetas é possível mas não está provada.

Greinacher concorda: o que demonstraram foi que num grupo restrito de pessoas, entre o 5º e o 14º dia após a toma, há uma produção de um tipo de anticorpos específicos que parece levar a este quadro clínico.

O que não se sabe é se são anticorpos que resultam do efeito da vacina ou de reação imunológica desencadeada por um fator ou mais fatores de risco prévios, que estão a tentar descobrir.

Para já, a equipa desenvolveu um teste ao sangue que permite despistar rapidamente se está diante deste fenómeno, que poderá ser feito em qualquer hospital, explicou, apelando a que não se tenha receio de uma vacina por causa de uma reação adversa rara. «Tivemos 25 casos e neste momento só na nossa unidade de cuidados intensivos tenho mais de 25 doentes em estado crítico com covid-19», disse. «Descer uma estrada de mota é de longe muito mais perigoso do que tomar a vacina. Peguem em 1,4 milhões de motocilistas, vejam duas semanas de condução e verão quantos acidentes graves acontecem», comparou.

A EMA pronuncia-se na próxima semana.