Viver para contar

Heroína ou vilã?

Uma leitora acha que um sapo seria preferível ao príncipe Harry, e que este não é filho de Carlos mas do tenente James Hewitt. Finalmente, que Harry e Meghan se comportaram como concorrentes do Big Brother

Uma leitora que por vezes me escreve, comentando os meus artigos mas sobretudo a atualidade, enviou-me um email sobre a entrevista de Meghan Markle e Harry a Oprah Winfrey.

Devo dizer que AV – as iniciais da leitora em questão – nunca simpatizou com Meghan. Desde o início considerou-a uma «cobra», uma «fingida», que iria criar inúmeros problemas à Casa Real britânica e à própria monarquia inglesa.

Não se enganou.

Escreveu agora AV:

«A ‘FAMOSA’ entrevista dos duques mimados e marados pôs-me a pensar em várias coisas. 

Primeira coisa: com príncipes como o Harry, as pessoas até começam a olhar para os sapos de outra maneira. Afinal, um príncipe que se comporta como um nojento e desavergonhado concorrente de um ‘Big Brother’ mundial... não é lá muito principesco no caráter. E faz pensar que, se calhar, é preferível um sapo. Ao menos, esse não desilude tanto: já nasceu sapo, anyway...

Segunda coisa: para mim, o Harry está a comportar-se como um verdadeiro filho da mãe. Não pretendo ser ofensiva, mas sim usar as palavras no seu sentido literal: de ele ser mesmo ‘filho da mãe dele’, da Diana. Ou seja, tal como a mãe, o filho também parece ter a sua veia vingativa e a mesma tendência para arremessar lama em praça pública, que é como quem diz, na televisão. 

Estou a pensar na famosa entrevista da Diana, em 1995, na qual, numa clara atitude de ajuste de contas público com o Carlos, admitiu perante todo o mundo que tinha sido amante do James Hewitt. Além de acusar o Carlos de tudo o que sabemos. Tudo lançado à cara na TV. Agora, 26 anos depois, o Harry faz exatamente o mesmo. Então, é ou não um verdadeiro ‘filho da mãe’? Nunca nada foi melhor dito... Mais filho da mãe do que isto era impossível.

Terceira coisa: será que é desta que, finalmente, se percebe quem é o pai dele? É que o rapaz tem a cara, o cabelo, as sardas, o sorriso, o perfil físico e até – como se vê agora – o caráter duvidoso do James Hewitt. Ainda haverá dúvidas? Livra, não há maior cego do que aquele que não quer ver, realmente! Mais ainda: parece que o próprio Harry falou da mãe, dizendo que esta ‘pressentira’ que ele pudesse vir a ter problemas com a família real no futuro – e que, por isso, lhe terá deixado uma segurança financeira. Ora bem, para mim, isto só confirma as suspeitas. Ou seja, a Diana sabia perfeitamente que ele não era filho do Carlos, sabia quem era o pai, pelo que não seria preciso ser bruxa para imaginar que futuramente ele pudesse vir a ser alvo de um tratamento diferenciado por parte de uma família que ela sabia perfeitamente não ser a dele... E por isso procurou resguardá-lo financeiramente. Mais claro era impossível!

Quarta coisa: está a ver, senhor Saraiva, o que se ganha em ser – ou em querer ser – bom? Ganha-se ingratidão. 
Por que razão a família real adotou o Harry aquando da morte da Diana? Melhor seria terem-no entregue logo à família dela e evitavam este problema. É que, realmente, a adoção é uma coisa bonita, mas complicada. Mais tarde ou mais cedo, de uma forma ou de outra, eles fazem-nos arrepender...

Assim sendo, o Carlos, não contente com a parvoíce de adotar o Harry em criança, ainda quis ser bom outra vez com a Meghan, disponibilizando-se para a levar ao altar... como se fosse preciso. Francamente! Como se ela não soubesse já o caminho de cor e salteado, e não pudesse ir sozinha! Afinal, já não era a primeira vez que ela lá ia, pelo que devia saber o percurso…».

Ao contrário de outras mulheres, que apoiaram Meghan por ser mulher, esta leitora não alinhou no feminismo… e desancou-a.

Eu vi a entrevista e concluí que Meghan Markle é uma boa atriz. Criou uma personagem e fez bem o papel. Apenas cometeu alguns deslizes. Disse que antes do casamento não conhecia de todo os hábitos da Casa Real britânica, o que é inverosímil numa pessoa que namorava e ia casar com um príncipe inglês. Disse que tinham casado três dias antes da celebração oficial, numa cerimónia íntima, o que veio a revelar-se mentira. Disse que lhe tinham dito que o seu filho não teria direito a segurança, o que é incompreensível. Disse que houve comentários sobre a cor da pele do bebé, mas não soube dizer quem os fez e acabou por conceder que não foi ela que ouviu mas sim «o Harry». 

Houve quem gostasse muito da entrevista, por ter revelado uma mulher corajosa, sem medo de dizer o que pensava. Em adolescente, eu acharia com certeza o mesmo. Hoje penso um pouco diferente: as pessoas, quando entram para uma instituição, assumem determinadas responsabilidades. Devem pensar mais naquilo que podem dar à instituição do que no que podem receber dela. Devem admitir fazer alguns sacrifícios e não sujeitar tudo e todos aos seus caprichos.
Meghan Markle tornou-se famosa mundialmente por casar com o príncipe Harry e por passar a fazer parte da carismática Casa Real britânica. Tornou-se rica e de certo modo poderosa. Mas não quis pagar o preço que isso pressupunha – e comportou-se como uma vulgar concorrente do Big Brother, como disse AV, ao vir contar a sua história e a da família num programa de grande audiência.

Por alguma razão, noutros tempos, os príncipes casavam com princesas…