Internacional

Alemanha vai negociar com Rússia eventual compra da vacina Sputnik V

Jens Spahn justificou a sua decisão ao explicar que a Comissão Europeia tinha anunciado que não negociaria em nome do bloco comunitário a compra do fármaco Sputnik V, ao contrário do que tem vindo a fazer com outras vacinas.

A Alemanha vai reunir-se com a Rússia para explorar uma eventual compra da Sputnik V, caso a vacina contra a covid-19 seja aprovada pelas autoridades europeias, anunciou, esta quinta-feira, o ministro da saúde alemão, Jens Spahn.

"Expliquei, em nome da Alemanha, ao Conselho de Ministros da Saúde da UE que iríamos discutir bilateralmente com a Rússia para saber, antes de mais nada, quando e que quantidades poderiam ser entregues", afirmou o ministro em declarações à rádio pública regional WDR.

Jens Spahn justificou a sua decisão ao explicar que a Comissão Europeia tinha anunciado que não negociaria em nome do bloco comunitário a compra do fármaco Sputnik V, ao contrário do que tem vindo a fazer com outras vacinas.

A maior região da Alemanha, Baviera, também está a favor da compra da vacina russa e anunciou, ontem, que negociou um “contrato preliminar” para receber 2,5 milhões de doses da Sputnik V, mesmo que a compra esteja dependente da autorização da Agência Europeia de Medicamento (EMA) para o uso do fármaco.

As entregas da vacina russa "devem acontecer nos próximos dois a quatro/cinco meses" para fazer diferença na situação atual da Alemanha, explicou Jens Spahn, que tem criticado a lentidão com que tem decorrido a campanha de vacinação na Alemanha.

Apesar de ser um dos países mais abastados da União Europeia, a Alemanha administrou, até ao momento, 17,99 doses de vacinas contra a covid-19 por cada 100 habitantes do país, um valor que fica bastante abaixo da média dos 27 Estados-membros, que se situa nas 18,58 unidades por centena de indivíduos.

Com a eventual chegada de mais uma vaga, as autoridades alemãs estão sob pressão, visto que apenas 13% da população alemã recebeu vacinas em três meses de campanha.

A Rússia também não tem conseguido entregar grandes quantidades da vacina Sputnik V, por não ter a capacidade suficiente para produzir mais e exportar para outros países. Agora, a prioridade está em vacinar a população russa.

A administração da Sputnik V é considerada um assunto polémico na Europa. Recorde-se que, recentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês acusou a Rússia de fazer da sua vacina uma ferramenta de “propaganda política” no mundo.

De realçar que o regulador europeu não estabeleceu nenhum prazo para a sua decisão final sobre a Sputnik V, como fez com os outros laboratórios que submeteram as suas vacinas para aprovação. Por norma, o tempo de avaliação varia entre os dois e os quatro meses.