Sociedade

Grutas de Mira de Aire reabrem ao público após "pior ano de sempre"

O administrador de uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal prevê um "ano que vai ser bom" caso o país entre "numa normalidade", temendo, porém, que "se não houver uma consciencialização das pessoas isto possa voltar atrás", pois tem constatado "o abandono da máscara, as esplanadas cheias sem condições".

As Grutas de Mira de Aire, uma das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, reabriram ao público na terça-feira, após o “pior ano de sempre, com 59.077 visitantes” na sequência da pandemia de covid-19, disse à agência Lusa o administrador Carlos Alberto. Recorde-se que o encerramento do complexo no concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, deu-se no período compreendido entre os dias 15 de março e 31 de julho do ano passado e, deste modo, o número de visitantes contrastou com os 72.020 registados no ano que havia sido o mais fraco da história das grutas, em 2012, quando o país vivia o período da troika.

Segundo Carlos Alberto, em 2019, as grutas tiveram 140 mil visitantes, sendo que os dois primeiros meses de 2020 “auguravam um bom ano”, pois “em janeiro e fevereiro houve um acréscimo de 20% de visitantes” face ao período homólogo de 2019. Acerca do primeiro momento de rebertura, o administrador avançou que "o mês de agosto foi praticamente normal em termos de afluência, mas muitas pessoas não conseguiram visitar porque as filas eram demasiadas extensas e chegámos a ter de colocar a placa ‘lotação esgotada’”.

Deste modo, reabrindo pela segunda vez nesta segunda fase do plano de desconfinamento atual, o administrador realçou que, na quarta-feira, existiu "o dobro do movimento do dia anterior", prevendo um "ano que vai ser bom" caso o país entre "numa normalidade", temendo, porém, que "se não houver uma consciencialização das pessoas isto possa voltar atrás", pois tem constatado "o abandono da máscara, as esplanadas cheias sem condições".

“Tivemos apoio em vários programas. Se não fossem estes apoios, era difícil retomar a atividade, pois a faturação caiu abruptamente”, esclareceu, manifestando o desejo de que “o país não feche outra vez”, até porque as Grutas de Mira de Aire abriram ao público em 14 de agosto de 1974 e até 31 de dezembro de 2020 receberam 7.183.618 visitantes com entradas pagas, tendo uma história longa e com sucessos como o ano de 1976, "o melhor de sempre", com 306 mil visitantes e, mais especificamente, 13.500 no dia 13 de setembro.

Segundo o administrador, 45% dos visitantes são estrangeiros e os restantes nacionais. Num ano normal, os alunos, nacionais e estrangeiros, representam entre 15 mil e 20 mil visitantes. “O que espero é que o país não feche outra vez”, acrescentou.

Importa também referir que, esta quarta-feira, foi noticiado, pelo Jornal de Leiria, que "o mercado municipal de Mira de Aire, no concelho de Porto de Mós, vai ser requalificado, num investimento de cerca de 300 mil euros para concluir até ao final do ano" e, em entrevista à agência Lusa, Jorge Vala, presidente da Câmara Municipal, adiantou que "as 150 mil pessoas que visitam as grutas, temos de as trazer à vila, ao MIAT [Museu Industrial e Artesanal do Têxtil], à antiga igreja, ao mercado”, defendendo a necessidade de “colocar a vila a fervilhar”.