Sociedade

Janssen adia início da distribuição da vacina na Europa. Portugal já não deve receber primeiras doses esta semana

Anúncio foi feito pela empresa esta tarde, depois de a FDA ter recomendado a suspensão da vacina por precaução. EMA iniciou investigação de segurança esta segunda-feira

A distribuição da vacina da Janssen/Johnson & Johnson vai ser adiada na Europa. O anúncio foi feito esta terça-feira pela empresa, depois de o regulador norte-americano do medicamento ter recomendado uma suspensão da vacina, por precaução, enquanto se investiga casos de coágulos sanguíneos associados a baixas de plaquetas, o mesmo tipo de incidentes tromboembólicos que levaram à revisão de segurança da vacina da AstraZeneca.

Em comunicado após a decisão da FDA, a farmacêutica garante que segurança e bem-estar da população que utiliza os seus produtos é a "prioridade número um". A empresa reitera que nos EUA as autoridades estão a estudar seis casos reportados em 6,8 milhões de vacinas administradas. Casos que a farmacêutica está também a analisar em conjunto com as autoridades de saúde europeias. "Tomámos proativamente a decisão de adiar a distribuição da nossa vacina da Europa", diz a vacina. Uma decisão por parte da empresa que ainda não mereceu uma reação dos diferentes países.

Marta Temido admitiu hoje, após a reunião do Infarmed, que o país teve conhecimento da decisão da FDA enquanto decorria o encontro. Na altura em que a ministra da Saúde se pronunciou a empresa ainda não tinha emitido o seu comunicado a dar nota do adiamento proactivo da distribuição. O coordenador da task-force de vacinação fez aliás a apresentação dos próximos passos e metas da campanha de vacinação ainda sem referir este novo revés. A perspectiva deixada por Henrique Gouveia e Melo foi de que a primeira fase do plano de vacinação está praticamente concluída e, com significativamente mais vacinas já a partir de deste mês, 1,9 milhões só em abril, começar a fundir a segunda etapa de vacinação com a segunda e ir chamando as pessoas por idade descrescente. 90% das vacinas serão para ser dadas por idade decrescente e 10% ficam reservadas para casos de doença em pessoas mais novas. 

Esta quarta-feira estava marcada a chegada ao país das primeiras 30 mil vacinas da Janssen, de um total de 1,25 milhões de doses esperados este trimestre. O i já procurou um esclarecimento junto da task-force sobre o impacto deste anúncio para Portugal.

Vacinação de professores de novo em risco de ser adiada

No imediato, para o próximo fim de semana está agendada a retoma da vacinação de professores e pessoal não docente, que contaria já com esta nova remessa de vacinas. Os SMS já começaram aliás a ser enviados a quem tinha tido a vacina cancelada há duas semanas. Recorde-se que o segundo fim de semana de vacinação da comunidade escolar foi adiado depois da suspensão da vacina da AstraZeneca para pessoas com menos de 60 anos, ligada ao mesmo tipo de eventos tromboembólicos. Esta segunda-feira a Agência Europeia do Medicamento anunciou que foi aberta uma investigação de segurança sobre a ligação entre estes casos de tromboembolismo e a toma da vacina, o mesmo tipo de procedimento que envolve a vacina da AstraZeneca.

Autoridades norte-americanas invocam princípio de precaução

Num comunicado conjunto, a FDA e o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA (CDC) especificam que os seis casos em investigação foram quadros de trombose cerebral dos seios venosos associados a baixa de plaquetas, um dos quadros também associados como reação adversa muito rara à vacina da AstraZeneca. Dos seis casos notificados nos EUA, todos dizem respeito a mulheres entre os 18 e os 48 anos de idade, com os sintomas a iniciarem-se entre o sexto dia e o décimo terceiro dia após a toma. As autoridades norte-americanas ressalvam que habitualmente nestes casos os doentes podem receber tratamento com o anticoagulante heparina, o que nestes casos, tal como nos que foram descritos para a vacina da AstraZeneca, pode ser desaconselhado, sendo recomendados aos profissionais de saúde que lidem com estes casos tratamentos alternativos. Mais uma vez, e como aconteceu com a vacina da AstraZeneca, as autoridades ressalvam que aparentam ser eventos muito raros, dado que foram administrados 6,8 milhões de vacinas no país.