Sociedade

Caso Meco. Ex-dux nega praxe durante o fim de semana e noite da tragédia

Na primeira audiência do julgamento cível, João Miguel Gouveia negou sempre que a ida à praia do Meco tivesse sido por causa de uma atividade de praxe, alegando ter sido um passeio sugerido por Tiago e por Ana Catarina.

O ex-dux da Universidade Lusófona e único sobrevivente da tragédia no Meco. João Miguel Gouveia. disse, esta segunda-feira, no Tribunal de Setúbal. que não ocorreu nenhuma praxe no momento da morte dos colegas.

O julgamento do processo cível da tragédia que vitimou seis jovens na praia do Meco, em Sesimbra, no dia 15 de dezembro, começou hoje. As famílias das vítimas reclamam indemnizações no montante total de 1,3 milhões de euros.

Durante a manhã, João Miguel Gouveia respondeu às questões da juíza do processo e do advogado das famílias, Vitor Parente Ribeiro, e negou sempre que a ida à praia do Meco tivesse sido por causa de uma atividade de praxe, alegando ter sido um passeio sugerido por Tiago e por Ana Catarina.

Mesmo assim, o advogado Vitor Parente Ribeiro confrontou Gouveia com as mensagens de telemóvel que enviou a alguns colegas, precisamente uma mensagem na qual perguntava se os jovens já teriam bebido um “penalti”. Segundo a perspetiva da família, esta mensagem demonstra que os jovens falecidos estavam obrigados a executar as atividades ordenadas pelo então dux.

João Miguel Gouveia voltou a negar e afirmou que não incentivou os seis jovens a consumirem álcool e voltou a reforçar que a visita à praia não foi com o objetivo de fazer uma praxe.

Na primeira audiência do julgamento, o réu explicou que se conseguiu livrar da capa do traje académico quando foi puxado pelo mar e garantiu que ainda conseguiu tocar na mão de Ana Catarina, porém não a conseguiu puxar para fora da água, no mesmo momento em que ouviu um pedido de socorro de Joana.

As respostas de João Miguel Gouveia não convenceram o representante das famílias, que acredita convictamente que o fim de semana, no qual os sete jovens se reuniram numa casa alugada em Aiana de Cima, tinha o propósito de “praxar” os mesmos.

"Penso que não há dúvidas de que foi um fim de semana de praxe. O réu tentou desvalorizar isso e passar a responsabilidade para os outros jovens, que falecerem e já cá não estão para se defender, mas fica evidente que ele tinha a responsabilidade do fim de semana, foi ele que o organizou, foi ele que definiu as atividades que tinham de fazer", salientou o advogado.

"Não há dúvida nenhuma de que naquela praia, naquela noite, aconteceram atos de praxe", reforçou.

Contudo, Vítor Parente Ribeiro reconheceu que "é muito difícil contraditar aquela que é a única versão" dos acontecimentos, mas assinalou alegadas contradições nas declarações que João Gouveia prestou ao procurador da República e o que disse hoje no Tribunal de Setúbal.

"O réu disse ao procurador que a Ana Catarina pediu autorização para levar o telemóvel e ao tribunal disse que cada um levava o que queria. E que só levaram alguns telemóveis para a praia [por razões de segurança] porque eram os mais baratos", indicou o advogado.

Vítor Parente Ribeiro ainda sublinhou alegadas contradições nos depoimentos de João Gouveia sobre a forma como terá conseguido sair do mar vivo, sendo que também foi arrastado pela mesma onda que matou os seis alunos da Universidade Lusófona.

As famílias dos seis jovens falecidos expuseram seis ações cíveis em 2016, contra o então dux João Gouveia e a COFAC – Cooperativa de Formação e Animação Cultural.

Em cada uma das petições iniciais foi pedida uma indemnização de cerca de 225 mil euros, o que perfaz um valor total que ronda um milhão e 350 mil euros.