Internacional

Exército norte-americano abandona Afeganistão a 11 de setembro

Serviços de inteligência americanos alertam que talibãs podem vir a ganhar mais poder e influência no Afeganistão.


O vigésimo aniversário do atentado às Torres Gémeas, nos Estados Unidos, vai ser assinalado de uma forma diferente depois do Presidente Joe Biden ter anunciado que este será o dia em que as tropas norte-americanas vão ser retiradas do Afeganistão.

A data original, definida pelo ex-Presidente, Donald Trump, com os talibãs no Afeganistão, estipulava que o exército deveria abandonar este país no dia 1 de maio, é assim adiada e irá ser coordenada para acontecer em simultâneo com a retirada de outras forças da NATO.

“Iniciaremos uma retirada ordenada das forças restantes antes de 1 de maio e planeamos que todas as tropas dos EUA saiam do país antes do 20.º aniversário de 11 de setembro”, disse Biden em declarações aos jornalistas, acrescentando que, no caso de “qualquer ataque a soldados americanos” durante a retirada das tropas enfrentará uma resposta “energética”.

Por que razão Biden está a retirar as tropas? As tropas americanas chegaram ao Afeganistão pouco tempo depois dos ataques do 11 de setembro e, desde então, estão em conflito ao longo destas duas décadas, tornando-se assim o mais longo conflito bélico em que os EUA estiveram envolvidos.

Segundo a CNN, retirar as tropas deste país era um desejo antigo do Presidente Biden, algo que remonta a 2009, quando Obama ainda estava no cargo (e acabou por duplicar a presença das tropas no Afeganistão).

O canal de notícias escreve que o Presidente acredita que “manter as tropas para além de setembro não é uma opção” e que nenhuma quantidade de força americana pode “deter os talibãs ou acabar com a guerra”. “Não era verdade quando tínhamos 98 mil soldados americanos no terreno, e não será com os 2500 soldados que temos atualmente… Não acreditamos que eles farão a diferença”, cita a CNN, que acrescenta que o senador Chris Coons, confidente do Presidente, refere que se trata de uma forma de redirecionar investimento financeiro.

“Enquanto investimos vários biliões de dólares em conflitos como o Afeganistão e o Iraque, a China, a nossa concorrente, utilizou esse dinheiro na reconstrução e modernização das suas forças armadas, tornando-se assim nos nossos rivais na manufatura e inovação”, esclareceu o senador. “Sabemos que a China gostaria que os EUA lutassem em todas as colinas de Kandahar”, disse.

Irá o terrorismo voltar a reinar o Afeganistão? Outra das razões para a retirada das tropas deve-se ao facto dos serviços secretos acreditarem que, a curto prazo, os talibãs não representarão perigo imediato para os EUA.

“A ameaça terrorista do Afeganistão não é zero, mas, neste momento, é mais baixa do que em outras partes do mundo”, disse o líder da comissão de inteligência dos Estados Unidos, Adam B. Schiff, citado pelo New York Times.

No entanto, o Afeganistão poderá estar prestes a sofrer uma crise interna. Os serviços de inteligência americanos alertaram a administração de Biden que os talibãs irão recuperar campos de batalha, as forças do Governo deste país irão enfrentar dificuldades em proteger os seus territórios e preveem que um tratado de paz entre ambos seja bastante improvável.

Com este cenário em mente, como é que os EUA podem garantir que o Afeganistão não explode numa guerra civil assim que os soldados americanos abandonarem o país? Uma fonte da CNN garantiu que os EUA vão continuar a oferecer ajuda financeira, diplomática e humanitária ao Governo afegão caso os conflitos persistam.