No Meio de Nós

As causas da angústia humana

Faz já cinco anos da visita do Papa Francisco à ilha de Lesbos. Com ele estavam também o Patriarca de Constantinopla, o arcebispo ortodoxo de Atenas e de Toda a Grécia. Durante longas horas, ele quis estar com aqueles que trabalham com os refugiados, partilhar as dores e as tristezas e também as alegrias.

Francisco quis, também, partilhar vários momentos com as crianças, com as famílias e com aqueles que outrora, fugidos dos seus países, procuram segurança e condições de vida dignas. Esta é uma realidade que parece longínqua de todos nós, mas a política internacional é feita à custa de muitos destes homens e mulheres que buscam agora um refúgio.
Muitos destes refugiados fogem da pobreza extrema e procuram oportunidades de vida melhores. Outros, porém, fogem da guerra que assola os múltiplos territórios de África e do Médio Oriente. É uma chaga que está a assolar a humanidade! É uma ferida na vida social e de milhões de pessoas que partem de suas casas, simplesmente, porque não conseguem criar os seus filhos em segurança.

Qual vai ser o futuro da humanidade? Qual vai ser o futuro de tantos países que vivem divididos no seu seio, às vezes com guerras fratricidas. É, na realidade, uma loucura! É como que o suicídio de toda a cultura dos direitos humanos.
Não deixa de ser curioso que, tendo o homem desprezado Deus para fazer uma nova cultura, não já baseada no Livro Sagrado, mas nos Direitos do Homem, se veja, hoje, confrontado com maior número de guerras do que no tempo em que imperavam as religiões.

É evidente que houve guerras religiosas e, provavelmente, continua a haver ainda hoje. Porém, a promessa messiânica de se inaugurar um novo tempo, livre do poder das religiões, tem trazido angústia por toda a parte. 

Na realidade, o grande problema do homem está no seu coração e não na religião. As guerras vêm de ideologias étnicas, políticas, sociais que os homens precisam de defender a todo o custo. É necessário defender as ideias... colocando os homens, muitas vezes, subordinados aos ideais. Parece que mais importante do que as pessoas são as ideias e, desta forma, se vai enviesando a vida de milhões de pessoas.

É necessário que se inicie uma cultura que coloque no centro o próprio homem e não as ideias. É necessário uma cultura que procure ajudar a desenvolver os países mais pobres porque todos fazemos parte de todos. A humanidade é uma só e só nós podemos saber todos juntos. É importante que caminhemos todos juntos e haja quem esteja na fila da frente.
É evidente que terá sempre de haver um país que abra essa perspetiva de uma economia global, que não pense apenas em si, mas em todos. Terá de haver uma ousadia de dar início a esta nova cultura, mesmo que poucos queiram seguir.
É evidente que, se houvesse maior desenvolvimento em alguns países, muitos dos refugiados prefeririam continuar a viver nas suas terras. É evidente que, se houvesse segurança nestes países, os refugiados não teriam necessidade de fugir. 

As cimeiras que temos feito entre os países mais ricos e mais poderosos têm-se mostrado em muitos aspetos infrutíferas. Têm-se feito cimeiras económicas, ambientais e sociais, onde os países fazem alianças e compromissos, mas, na realidade, subsiste o problema do desenvolvimento e da guerra entre povos e dentro dos próprios povos.
Os compromissos, as alianças e as estratégias não são suficientes para resolver os problemas da humanidade. Tem de haver um polo agregador da vontade humana que nos una para uma causa comum. Talvez apareça, entretanto, um tempo profético! Talvez um tempo messiânico! Não há dúvidas de que todos estes problemas têm uma causa não material – o orgulho humano – que só com uma solução espiritual se pode resolver.