Internacional

"Um povo que vota num homem" como o Lula da Silva "merece sofrer", diz Bolsonaro

Depois do antigo presidente do Brasil reconquistar os seus direitos políticos, Lula da Silva é apontado como candidato às eleições presidenciais de 2022. 


O atual Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pretende recandidatar-se às eleições de 2022 e disse que “um povo que vota num homem” como o antigo presidente Lula da Silva “merece sofrer”.

Esta afirmação surgiu durante uma conversa com um pequeno grupo de apoiantes, que estavam à porta da sua residência oficial, na qual trocaram várias impressões. Bolsonaro exprimiu a sua opinião sobre os “regimes autoritários” de esquerda, ao afirmar que estes “arruinaram” toda a América do Sul.

De realçar que na semana passada, Lula da Silva recuperou os seus direitos políticos, que ficaram suspensos devido às duas penas de prisão entretanto anuladas pelo Supremo Tribunal, por um conflito de competências. Agora, Lula é apontado como o candidato presidencial progressista para as eleições de 2022.

Contudo, Bolsonaro é o favorito nas sondagens preliminares, cuja atenção tem vindo a diminuir há meses, devido à controversa gestão da pandemia de covid-19 pelo Presidente brasileiro.

Jair Bolsonaro também deixou algumas críticas à capa da revista Veja, edição deste fim de semana, com um retrato de Lula e o título “De volta ao jogo”.

O Presidente do Brasil, com ironia, disse que olhou apenas para a capa, visto que não lê revistas nem jornais para “não se contaminar”.

O chefe de Estado aproveitou para falar sobre a criação do seu próprio partido político, batizado como “Aliança pelo Brasil”, que tem vindo a promover desde 2020, porém nada foi oficializado.

Serão necessárias 500 mil assinaturas de eleitores para registar o partido, além de ter de cumprir outros requisitos legais que até à data não conseguiu completar.

Dado a estas adversidades, Bolsonaro admitiu que a possibilidade de criar o novo partido, que ele considerou ser o primeiro partido “verdadeiramente conservador” no Brasil, é “muito pequena”.

Por essa razão, o Presidente está a procurar uma aliança partidária. Esta também é uma das condições impostas por lei no Brasil para aceitar uma candidatura.

Quando foi eleito presidente, Bolsonaro estava filiado no Partido Social Liberal, com o qual rompeu pouco tempo depois.

Agora, o chefe de Estado continua sem partido e não sabe qual será o seu próximo, porém disse que tem “esperanças para 2022” e na aprovação de uma reforma eleitoral que está a decorrer de momento no Congresso, na qual é proposta acabar com o sistema de votação eletrónica, que já existe no país há mais de duas décadas e da qual Bolsonaro não confia.

"Tenho a esperança de que, com o voto auditável, possamos realmente mudar o Brasil", afirmou Bolsonaro, que promove o projeto que visa reintroduzir o sistema de votação com comprovativo, ainda que as autoridades eleitorais argumentem que este dá espaço à fraude.