Economia

Novo Banco. Deloitte nega conflito de interesses na auditoria

Sócio da consultora diz que perdas do Acordo de Capitalização Contingente não pagas pelo  Fundo de Resolução podem ser acertadas pelos juros.

A Deloitte afastou a existência de haver qualquer conflito de interesses sobre a auditoria especial ao Novo Banco, referindo que um dos trabalhos anteriores realizados foi de assessoria da GNB Vida, mas pela empresa autónoma em Espanha. “Fizemos a assessoria da GNB Vida, uma firma da própria Deloitte em Espanha e depois efetuamos um conjunto de avaliações pontuais de ativos, três ou quatro, que estão incluídos no trabalho. A conclusão que tivemos relativamente a esses casos foi que eles não representavam um conflito de interesses que impedisse a realização deste trabalho”, disse João Gomes Ferreira, sócio da consultora, onde esteve a ser ouvido no Parlamento.

Recorde-se que em setembro, o BE considerou que a auditoria ao Novo Banco estava “ferida de morte” e não garantia “seriedade, rigor e independência” devido ao “conflito de interesses” da Deloitte, apelando ao Presidente da República e ao Governo que a considerassem nula. Na altura, a Deloitte afirmou que cumpre a lei e que “as partes interessadas foram informadas sobre a existência de trabalhos desenvolvidos no passado para o BES e Novo Banco”.

De acordo com a consultora, as perdas ao abrigo dos Acordo de Capitalização Contingente (CCA) do Novo Banco que ultrapassem os 3890 milhões de euros poderão ser compensadas no final do contrato através dos juros dos ativos abrangidos. 

João Gomes Ferreira lembrou ainda que, de acordo com o seu entendimento, o acordo celebrado à data da venda do Novo Banco, a conta “é efetuada no final, ou seja, não vai ser feita uma análise ano a ano para ver em cada ano quanto é que o Fundo de Resolução não contribuiu”. Isto significa que no final da vigência do contrato será feita “uma análise de quanto é que foram as perdas acumuladas de ativos CCA até àquela data, quanto é que foram as contribuições do Fundo de Resolução até àquela data, e esse diferencial é comparado com o valor acumulado dos juros”.