No Meio de Nós

Acabar com a guerra contra a Natureza!

António Guterres, Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, é português e já foi nosso primeiro ministro. Por estes dias veio dizer que o planeta não aguenta muito mais e que precisamos de encontrar alternativas para os nossos estilos de vida que não são sustentáveis.

A Câmara Municipal de Lisboa está a tornar a metrópole numa cidade verde, com espaços ajardinados, ciclovias e muitas iniciativas. Aliás, havia um projeto que já devia ter começado na Segunda Circular para plantar mais árvores para abafar mais a poluição sonora, mas ainda não foi para a frente.

Eu lembro-me que quando era pequenino, na escola primária, a minha professora – que ainda é viva, a professora Idalina, – pôs a tocar um disco vinil do Joel Branco que se chamava Uma árvore é um amigo e nos fez plantar uma árvore no jardim da escola. Pois é, no Catujal, há uma árvore que foi plantada por mim quando eu era criança.

Hoje, são milhares as iniciativas que sensibilizam as pessoas para a utilização responsável do consumo de energia e de bens. O Papa Francisco escreveu, faz agora cinco anos, uma encíclica sobre a ecologia – Laudato Si – que me parece ser uma nova parábola do mito de origem do Adão e Eva: no principio vivíamos todos muito bem, depois veio a serpente e mostrou a maçã (eu sei que não era uma maçã, mas assim todos percebemos), a mulher viu que era agradável à vista, comeu e deu-a de comer ao marido e o equilibro inicial desapareceu.

Na encíclica o Papa Francisco não fala deste mito de origem, como é considerado pela literatura, mas parece. A tese fundamental do Papa Francisco sobre as questões ecológicas é a de que o homem vivia inicialmente em harmonia, mas veio a serpente do capitalismo que mostrou a maçã do lucro, a mulher e o homem viram que era agradável à vista, comeram e toda a criação foi atingida por essa queda que o homem tem para o lucro.

A encíclica é muito interessante ao apresentar centenas de argumentos científicos para sustentar a tese de que precisamos de mudar os nossos hábitos de consumo, porque, no fundo, para o Papa o problema da destruição do planeta está nos comportamentos consumistas dos homens que são incentivados pelas empresas que estimulam os homens a comprarem, para que estas tenham lucros.

Teoricamente todos nós concordamos com isto. E é verdade! Hoje temos coisas que na minha infância seria impensável alguma vez vir a ter. Os filmes de ficção científica tornaram-se uma realidade. Hoje já não precisamos do fogo para aquecer a comida, nem precisamos de estar agarrados a uma parede para falar ao telefone, nem de estar sentados no sofá para vermos televisão. Está tudo no ar.

Agora, como é que cada um pode mudar as coisas? Que culpa tenho eu que não haja um consenso político na responsabilidade social para a produção dos materiais. Eu na minha casa faço todos os dias o almoço e o jantar. Sou eu que faço ou o seminarista que me ajuda. Somos dois a comer. Mas acho que tenho mais sacos de plástico no lixo do que comida na despensa.

É um exagero… o arroz, vem num saco; o peixe, vem em dois sacos; a carne, vem em dois sacos; a fruta, vem num saco; o queijo, vem num saco. Tudo vem num saco!

E o que é que vou fazer? Greve de fome?

Eu lembro-me de irmos à praça e levarmos umas caixas para trazer o peixe, mas se eu fizer isso quando chegar à caixa do Pingo Doce vão pesar o peixe juntamente com a caixa e eu não tenho dinheiro para estas extravagâncias.

É verdade que tudo isto é uma questão de comportamentos individuais, mas eu pago os meus impostos ao meu Governo para que faça decisões verdes em favor de todos e em favor também do ambiente. Eu não tenho a culpa de ter de comprar as coisas para a comida que vêm em sacos de plástico!