Sociedade

O "país está a controlar a pandemia", sublinhou Marta Temido

Portugal conseguiu diminuir a letalidade, o número de internamentos, a incidência de casos e o risco de transmissão efetivo por covid-19, assinalou a ministra da Saúde após a reunião no Infarmed. 

Com a reunião no Infarmed terminada, a ministra da Saúde, Marta Temido, assinalou, em conferência de imprensa, no início do seu discurso, a redução da letalidade da covid-19 em Portugal, ao considerar este como "o aspeto mais positivo de todos aqueles resultados que foram alcançados já nesta longa luta". 

"Estamos com uma letalidade que é metade do que era há um ano. (...) Estamos hoje com um número inferior a cinco óbitos por um milhão de habitantes", salientou a ministra da Saúde. 

Além disso, Marta Temido também deu destaque a diminuição do número de internados com covid-19 em enfermaria e em Unidade de Cuidados Intensivos, bem como aos níveis baixos da incidência e do risco de transmissão efetivo (Rt). 

Perante estes resultados, a ministra defendeu, que, hoje, dia 27 de abril, é possível dizer-se que o "país está a controlar a pandemia" e avançou que o Governo já está a tratar da próxima fase do desconfinamento. Por enquanto, "é preciso compensar o aumento dos contactos e da transmissibilidade pelas regras básicas: medidas preventivas individuais (máscaras, higiene e distanciamento), testagem, rastreio de contactos e isolamento”.

Contudo, há que ter em atenção ao "aumento da incidência no grupo etário dos 10 aos 19 anos e a tendência crescente em algumas áreas da região Norte”, apontou Temido que também referiu a existência de alguns territórios com risco elevado.

Na 20ª sessão, os especialistas revelaram que Portugal já detetou seis casos da variante indiana. Sobre isto, Marta Temido disse que em alguns casos são pessoas de outras nacionalidades e outros são portugueses sem nenhum registo de uma viagem ao estrangeiro conhecido. Isto “pode ser sinal de se estar a iniciar a transmissão comunitária”, afirmou. 

“As variantes são uma das complexidades” da pandemia, salientou a ministra da Saúde que recorda o impacto que a variante britânica teve e continua a desempenhar no país. Segundo o microbiólogo e cientista que está a realizar uma investigação no Centro de Bacteriologia do Instituto Nacional Ricardo Jorge, João Paulo Gomes, Portugal tem “ainda uma tendência crescente”: há duas semanas eram 83% dos casos, agora são 89% a 90%.

Em relação ao plano de vacinação, Marta Temido acabou por repetir os pontos que o coordenador da task force, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, evidenciou na reunião. Porém, ainda assinalou dois problemas que estão a atrasar o ritmo da vacinação: a entrega das doses e também as vacinas que têm limites de idade.

“Temos respeito escrupuloso pela decisão técnica, mas sabemos que essas duas circunstâncias podem condicionar o nosso plano de vacinação”, confessou. “Todos os contratempos têm impacto no plano de vacinação”, realçou ainda a governante. 

De destacar que, na reunião, Henrique Gouveia e Melo, explicou que há uma “ligeira evolução positiva da disponibilidade, no segundo trimestre, com 9,2 milhões de vacinas, no entanto, o limite da idade de dois tipos de vacinas que o país está a usar pode condicionar a utilização até meio milhão de vacinas”. 

Quanto ao possível fim do estado de emergência, a ministra da Saúde desviou-se da questão ao deixá-la para o Presidente da República. Mesmo que a situação epidemiológica seja "favorável", Marta Temido avisou que por muito que haja um "cansaço acumulado" é preciso continuar a lutar contra a pandemia. 

Já sobre o atual formato das reuniões quinzenais, a governante afirmou que “o que foi dito dentro da sala foi que as reuniões eram importantes para partilha de informação e para alimentar com informação as decisões políticas”, 

No entanto, Temido avisou que “mesmo quando não se realizara, o Ministério da Saúde continuou a enviar informação aos partidos políticos e aos parceiros". "O formato poderá ser alterado, mas a necessidade de continuar a acompanhar a informação, não”, explicou a ministra da Saúde aos jornalistas.