Hoje Escrevo Eu

A Academia da vulgaridade

Em vez do desfile das mais elegantes e belas divas, vestidas pelos melhores costureiros, estilistas ou designers da moda mundial, e de bem aprumados galãs que conquistaram o público e alimentaram o sonho de gerações e gerações de cinéfilos e não cinéfilos em todos os recantos do mundo, o tapete magenta a dar para o lilás serviu de palco à fealdade, à falta de senso, ao mau gosto e à vulgaridade (nos menos graves dos epítetos possíveis).


A cerimónia dos Óscares de 2021 anunciava-se como o regresso da passadeira vermelha com todo o glamour de Hollywood e dos tempos áureos do cinema americano e mundial, depois de um ano de pandemia, de salas fechadas e do boom das plataformas de streaming e dos investimentos caseiros em LCD’s e OLED’s – ou televisões com ecrãs de grande dimensão e áudio melhorado.

Nada disso. Foi um flop monumental.

Em vez do desfile das mais elegantes e belas divas, vestidas pelos melhores costureiros, estilistas ou designers da moda mundial, e de bem aprumados galãs que conquistaram o público e alimentaram o sonho de gerações e gerações de cinéfilos e não cinéfilos em todos os recantos do mundo, o tapete magenta a dar para o lilás serviu de palco à fealdade, à falta de senso, ao mau gosto e à vulgaridade (nos menos graves dos epítetos possíveis).

Tudo muito mau. Demasiado mau.

O imponente e tradicional Dolby Theatre de Los Angeles foi substituído pela gare adaptada de uma estação de comboios de LA e a coisa descarrilou.

A luz, os lustres, o brilho, a pompa e circunstância de uma cerimónia grandiosa e à imagem do poder arrebatador e envolvente da 7.ª Arte deram lugar a um espetáculo medíocre, sem graça nem beleza alguma, como uma película pobre daquelas que passam num canal de tv qualquer e se consomem ao ritmo de um balde de pipocas e de um copo de coca-cola.

A culpa foi da pandemia, pode ler-se nos media e nas redes sociais.

Estão muito bem enganados, querem fazer de conta que não viram o que lhes foi dado a ver ou enredar-nos num outro thriller qualquer.

A pandemia só foi responsável pela mudança de local da cerimónia de entrega das estatuetas douradas e pela redução do número de convidados por causa das regras de segurança recomendadas pelas autoridades de saúde.

Nada mais.

Tudo o resto é fruto do tempo que vivemos à escala global.

Como se a Academia de Hollywood tivesse sido tomada de assalto pelo politicamente correto e por essa espécie de ditadura das minorias que obriga a que elas e eles se tratem pronunciadamente por elas e por eles para afirmar que são iguais ou se possível tão indiferenciados quanto os trajes de umas e de outros ou de uns e de outras e que os nomeados e as nomeadas e as premiadas e os premiados preencham os requisitos da diversidade e as quotas de cada género, de cada raça, de cada continente ou o que mais houver.

Afinal, o facto de a estatueta ser atribuída à melhor atriz e ao melhor ator, seja secundário ou secundária seja de protagonista principal, também já não joga com os novos cânones da indiscriminação.

Pela nova lógica (ilógica), o que faria sentido era haver antes um Óscar para a melhor atriz cisgénero e outro para a melhor atriz transgénero e um para o melhor ator cisgénero e outro para o melhor ator transgénero.

E as premiadas e os premiados só poderiam agradecer aos seus progenitores e ser impedidos de mandar beijos à Mãe ou ao Pai (depois de amanhã ainda é ‘Dia da Mãe’?).

Enfim, parece que o grau de abertura da Academia ainda não chegou ao nosso estado de desenvolvimento social, apesar da moda dos artistas que agora pisam a passadeira magenta a dar para o lilás pareça bem mais próxima da streetwear da Zona J da nossa Chelas do que da alta costura da 5.ª Avenida de NY ou das passerelles de Paris ou Milão.

Os excêntricos que sempre fizeram a diferença na passadeira vermelha – fosse a touca de Betty Davis, o sorriso maquiavélico de Jack Nicholson, o capuz púrpura e brilhante de Prince, as transparências provocantes de Cher, as piadas de Billy Crystal, o brinco de diamantes de Morgan Freeman – estariam hoje no top da distinção dos novos protagonistas da cerimónia.

A diferença, agora, fazem-na apenas raros casos de pura classe. Poucos, muito poucos.

O que há mais é excêntricos, assim e por isso reduzidos à condição de vulgares.

Qual glamour qual carapuça...

Hollywood está tão decadente como o mundo em que vivemos.

Há qualquer coisa de estranho à escala global. Um movimento castigador da Humanidade, dos valores, dos costumes, da moral, do bom senso.

Viajar pela História e pelo legado dos nossos antepassados milenares, obriga-nos a acreditar nas ruturas e nos retrocessos civilizacionais que, ciclicamente, se impõem à raça humana.

A Roma imperial, a Grécia antiga, o Egito faraónico, os Maias astronómicos... São vários os exemplos históricos de civilizações inexplicavelmente avançadas para o seu tempo que desapareceram ou entraram em irreversível decadência pela negação da cultura, do conhecimento e do saber, subjugadas pela mediocridade da força bruta ou pela decadência moral.

Tirem-nos deste filme!

The End!