Internacional

Bolsonaro chama "canalha" a quem é contra "tratamento precoce" da covid-19 e insinua que vírus nasceu "em laboratório"

Presidente insiste em medicamentos sem eficácia contra a doença.

Bolsonaro chamou “canalha” a quem é contra o tratamento precoce contra a covid-19 com medicamentos como a cloroquina e a hidroxicloroquina, cuja ineficácia contra a doença já foi cientificamente provada.

“Canalha é aquele que é contra o tratamento precoce e não apresenta alternativa. Esse é um canalha. O que eu tomei [para tratar a Covid], todo mundo sabe. Ouço dizer que milhões de pessoas fizeram esse tratamento. Porque é contra?”, disse o Presidente do Brasil, durante discurso no Palácio do Planalto.

As declarações do chefe de estado brasileiro surgem depois de, esta terça-feira, o antigo ministro da Saúde do Brasil Luiz Henrique Mandetta revelar que Bolsonaro queria que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (Anvisa) alterasse a bula da cloroquina para que o medicamento fosse indicado no tratamento da covid-19. Mandetta foi ouvido no âmbito de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a covid-19.

Bolsonaro insistiu e pede que se investigue o resultado do uso em massa de hidroxicloroquina durante o colapso do sistema de saúde em Manaus, no início do ano.

“Espero que a experiência de Manaus com doses cavalares de hidroxicloroquina seja completamente desnudada pelos senadores. Por que não se investe em remédio? Porque é barato demais? É lucrativo para empresas farmacêuticas ou para laboratórios investir no que é caro? Nós conhecemos isso”, afirmou.

Mas Bolsonaro foi mais longe nas suas habituais declarações polémicas sobre a pandemia e insinuou que o novo coronavírus nasceu “em laboratório”.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu o seu PIB? Não vou dizer para vocês”, disse.

Recorde-se que, segundo uma investigação da Organização Mundial de Saúde (OMS), a “hipótese de acidente em laboratório é extremamente improvável” na origem do vírus.

Bolsonaro exonorou Mandetta em abril do ano passado, depois de semanas de tensão entre ambos, nomeadamente por Mandetta defender o isolamento social.

Note-se que mais de um ano desde o início da pandemia, Bolsonaro continua a defender o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.