Politica

Santana já tem casa na Figueira e quer voltar à câmara 20 anos depois

Santana deixou a Figueira da Foz há vinte anos para se candidatar à câmara de Lisboa. Foi quase tudo na vida política e quer regressar.


Pedro Santana Lopes já está a morar na Figueira da Foz e quer voltar a conquistar a câmara que deixou há vinte anos. Os próximos tempos serão dedicados a preparar a candidatura, mas em silêncio. “Falarei na devida altura”, escreveu na sua página do Facebook, garantindo que não está disponível para responder às “verdades ou falsidades” dos adversários.

Fez este domingo 24 anos que Santana Lopes anunciou a candidatura à câmara da Figueira da Foz depois de ter sido desafiado pelo então líder do partido Marcelo Rebelo de Sousa para avançar nas autárquicas.

Foi à luta e conseguiu conquistar a câmara aos socialistas com maioria. Quatro anos depois, Durão Barroso, que liderava o partido, voltou a desafiá-lo, mas para a câmara de Lisboa. “O que me custou e as lágrimas que chorei na altura da decisão de aceitar o que me foi pedido”, desabafou, nas redes sociais, no dia 21 de março, vinte anos depois de ter anunciado a candidatura à autarquia da capital.

Ao contrário do que muitos previam, venceu a câmara ao socialista João Soares, mas não chegou a terminar o mandato. O mesmo Durão Barroso voltou a traçar-lhe o destino quando decidiu rumar a Bruxelas e convidá-lo para assumir o cargo de primeiro-ministro. Não resistiu e voltou a aceitar, mas a sua popularidade nunca mais foi a mesma.

O Governo que liderou durou pouco mais de seis meses meses e perdeu as eleições legislativas para José Sócrates que conseguiu a primeira e única maioria absoluta para o PS. “Não me despeço. Não vou estar por aqui, mas vou andar por aí”, disse, no congresso do partido, em Pombal, depois de uma pesada derrota.

O próximo combate voltou a ser a câmara de Lisboa, em 2009, mas desta vez perdeu. António Costa venceu com maioria absoluta e obrigou o ex-primeiro-ministro a fazer mais uma pausa na vida política.

Só regressou uns anos depois, quando Passos Coelho deixou a liderança do PSD. Santana despediu-se do cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para se candidatar pela quarta vez à liderança do PSD. Rui Rio venceu as eleições internas e saiu do partido menos de um ano depois.

Um percurso duro Fundou a Aliança, mas os fracos resultados nas europeias e legislativas levaram a que deixasse o partido. “Foi um projeto que falhou e não vale a pena insistir naquilo que falhou. Foi muito duro todo este percurso. Fiz a campanha toda sem comunicação social. Mas fi-lo. As pessoas têm de reconhecer que sou capaz de tomar opções mesmo quando elas me prejudicam”, disse, numa entrevista ao SOL.

Ainda conversou com Rui Rio sobre a possibilidade de integrar uma lista do partido nas autárquicas, mas o líder dos sociais-democratas preferiu apoiar Pedro Machado, presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal.

O PSD já reagiu ao anúncio feito neste fim de semana pelo ex-líder do partido. Pedro Machado, em declarações à TSF, disse que Santana Lopes “faz parte do passado da Figueira da Foz e olho para a Figueira da Foz no presente e no futuro”. O candidato lembrou ainda que o seu adversário “fundou um partido para concorrer contra o PSD”.

A câmara é liderada pelo socialista Carlos Monteiro que já anunciou a recandidatura.

Santana Lopes avança pelo movimento movimento Figueira a Primeira e garante que é “uma decisão ponderada”. O agora candidato disse à Lusa que recebeu vários convites para outras câmaras, mas que sempre esteve na sua cabeça voltar à Figueira da Foz. “Cá estou. É uma decisão de enorme responsabilidade, num tempo difícil. Tenho estado a trabalhar e a estudar. Sempre disse que seria a Figueira da Foz e só a Figueira da Foz”, garantiu.