Opiniao

A Primavera Quente

Na semana passada, um Ministro de um governo socialista, sem dúvida com tiques de ditador de trazer por casa, decidiu fazer aquilo que no verão quente o governo não conseguiu: invadir e ocupar casas de privados.


Por Álvaro Covões

Nunca pensei assistir em 2021 àquilo que o PREC não conseguiu fazer.

Em 1975, com o regresso em massa dos então chamados retornados, o governo chegou a ponderar instalar famílias nas casas que tivessem mais quartos que as necessidades dos seus habitantes.

Na semana passada, um Ministro de um governo socialista, sem dúvida com tiques de ditador de trazer por casa, decidiu fazer aquilo que no verão quente o governo não conseguiu: invadir e ocupar casas de privados.

Obviamente que todos percebemos que cometeu um erro e achou que o Zmar era exclusivamente um empreendimento turístico. Enganou-se mais uma vez e mesmo assim não teve a humildade democrática de se retratar e emendar a mão.

Pelo contrário, insistiu em requisitar parte das casas ‘não privadas’, como se as mesmas fossem públicas.

No dia 25 de Abril de 1974 disseram-nos que nunca ninguém iria entrar nas nossas casas sem uma ordem judicial. Hoje um ministro diz-nos que ele pode tudo, alegando o estado de calamidade.

Provavelmente festejou o dia 25 de Abril como outros festejavam o 28 de Maio.

E só vem dar razão aos negacionistas e àqueles que defendem que o poder político está a aproveitar-se da pandemia para poder tomar decisões nada democráticas, atropelando os direitos e garantias dos cidadãos.

O Governo não merece tanto disparate junto. Nem o primeiro-ministro, nem os Portugueses.

Provavelmente o senhor ministro faltou à aula em que ensinaram aos colegas de faculdade o princípio da proporcionalidade. A aplicação da Lei deve respeitar sempre este princípio.

No tempo do ministro Rapazote, só um telefonema ao Presidente da República fazia atenuar a ação do ministro. Esta semana assistimos a algo assustadoramente parecido.

No mundo da cultura chama-se a tudo isto um erro de casting.

Está na hora, ‘the show must go on’.