Economia

Britânicos começam a chegar hoje e em peso

O mercado britânico é o mais importante para o Algarve e os turistas provenientes do Reino Unido podem entrar em Portugal a partir de hoje. Região Turismo do Algarve, AHETA e AHP garantem ao i que reservas dispararam e perspetivam um bom verão.


Esta segunda-feira marca o possível início de retoma e o Algarve poderá finalmente respirar de alívio. A partir de hoje, é permitida a entrada em Portugal de cidadãos de países que integram a União Europeia, países associados ao Espaço Schengen e Reino Unido, desde que apresentem uma taxa de incidência de infeção por SARS-CoV-2 inferior a 500 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. O_Reino Unido é justamente um dos principais mercados para Portugal ao nível turístico e só o Algarve espera hoje a chegada de 16 voos provenientes Reino Unido – eram 17 inicialmente mas um voo foi cancelado –, correspondentes a cerca de 5500 lugares. Mas atenção: é preciso apresentar um teste negativo para a covid-19 realizado nas 72 horas anteriores.

Para assinalar esta retoma do maior fornecedor de turistas do Algarve, a Associação Turismo do Algarve vai estar no Aeroporto de Faro a receber todos os passageiros oriundos do Reino Unido, que vão receber um kit com máscaras de proteção e uma brochura promocional da região.

E será este o ponto de partida para a tão esperada retoma do turismo na região? João Fernandes, presidente da Região do Turismo do Algarve, garante ao i que o Algarve está a registar, já para este mês, “um aumento nas reservas de voos e em alojamento, com origem em diferentes mercados externos, nomeadamente a partir do Reino Unido, estando a região a beneficiar do aumento das ligações aéreas, rotas e disponibilidade de lugares deste país para Faro”.

O responsável acrescenta que a procura começa a acentuar-se e a ser mais expressiva para os meses de junho, julho e agosto, “o que faz antever, à partida, um verão melhor do que o de 2020”.

“Neste contexto, é de referir que, ao nível da capacidade aérea, todos os dias tem sido reforçado o número de lugares disponíveis para o Algarve por parte das principais companhias aéreas”, movimento que tem sido acompanhado pelos mais variados operadores turísticos.

E não há dúvidas: a publicação do despacho que regula os voos turísticos “reforça esta oportunidade, para que a região possa voltar a receber turistas dos restantes mercados emissores europeus”.

E face a estas melhorias que podem trazer a tão esperada retoma ao Algarve, João Fernandes não tem dúvidas que “esta dinâmica significa que existe a perceção de que somos um destino seguro, o que é francamente positivo, considerando que estamos num momento-chave para a retoma turística”. Se esta tendência se mantiver, “as perspetivas apontam ainda para que possa existir um final de ano dentro de níveis mais próximos do normal para esse período”.

No entanto, tal como noticiou o Nascer do Sol, no último ponto de situação epidemiológico divulgado esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, o Algarve volta a surgir como a única região no continente com o RT acima de 1 (1,08). Se mantiver esta tendência poderá, em 15 dias a 30 dias, chegar ao patamar dos 120 casos por 100 mil habitantes.

Estes indicadores poderiam estragar os planos mas o presidente da RTA relembra que desde o início da pandemia que têm existido reuniões periódicas com os agentes da proteção civil e em conjunto com as autarquias, entidades de saúde, forças de segurança, Aeroporto Internacional de Faro e empresas do setor turístico para o estabelecimento dos protocolos sanitários. O objetivo é “criar as condições para preparar o destino para receber turistas de diferentes origens, assim tal seja possível, como se está a verificar”.

 

Reservas a disparar

Também João Soares, que representa o Algarve na Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e que também é dono de uma unidade hoteleira algarvia diz que as reservas estão já a subir “substancialmente”. “E penso que na próxima semana já teremos bastantes e o grande impacto será no mês de julho”, antevê.

Os hotéis, recorda, estiveram quase vazios e, por isso, há espaço para muitas reservas, diz, apontando que, no seu caso, “as reservas cresceram cerca de 60% daquilo que tínhamos reservado”.

E não há dúvidas: “A região está bem preparada, a hotelaria é de qualidade, a relação preço-qualidade é ótima e, de facto, os britânicos são nossos aliados há mais de 50 anos. Os britânicos conhecem-nos tão bem ou melhor que os próprios portugueses”.

João Soares vê ainda como uma oportunidade o facto de os principais mercados concorrentes ainda não terem recebido luz verde do Reino Unido. “Esse sinal é fundamental e vamos tentar aproveitar o máximo”. Para já, a chegada de turistas é vista com bons olhos, uma lufada de ar fresco e a esperança que a retoma aconteça. “Esperemos que seja o início da esperada retoma e que já não haja regressão”, disse, lembrando que a AHP defendeu recentemente a vacinação prioritária de profissionais do turismo e toda a população do Algarve, enquanto principal destino turístico nacional.

 

“Verão bastante melhor”

“As perspetivas são muito positivas e permitem-nos prever que teremos um verão bastante melhor que o ano passado”, diz ao i Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), lembrando que, para além da procura interna, o Algarve passa então a contar com a procura externa, “sobretudo por parte do nosso maior fornecedor de turistas que é, precisamente, o Reino Unido”.

A verdade é que os britânicos fizeram disparar as reservas na região, que foram além as expectativas. “Como no ano passado não tivemos ninguém, este ano os aumentos são muito significativos porque se compara com zero. Estamos a ter reservas acima do esperado, o que constituiu, de alguma forma, alguma surpresa. Já esperávamos algum aumento da procura mas, neste momento, essa procura está a ser superior àquilo que tínhamos idealizado no princípio”, diz ao i.

E esse aumento exponencial está a “criar muitas expectativas” não apenas para esta época mas para o futuro, tanto para a época alta do golfe, que tem início em setembro como para 2022.

Sobre os voos que hoje chegam, Elidérico Viegas explica: “O aeroporto tem capacidade para 20 e tal voos por hora. 17 voos é muito porque compara com zero mas, num período normal, não é muito. É preciso não esquecer que, em agosto, costumávamos ter um milhão de passageiros por mês. Perto de 5000 não é nada de extraordinário”, apesar de ser uma “lufada de ar fresco”.

De fora da lista verde do Reino Unido estão concorrentes diretos do Algarve como Espanha, Grécia e Turquia. “Isso é uma vantagem competitiva para o Algarve e para o país que, obviamente, teremos que saber aproveitar e aproveitaremos a nosso favor”, diz Elidérico Viegas.

Para já, o objetivo é “desenvolver todos os esforços ao nosso alcance para que consigamos continuar a manter estes números favoráveis para continuar a ser considerados um destino seguro junto dos principais mercados”.