Vinagrete

Vitória PP espanhol


A vitória do PP espanhol foi tão nítida, depois de derrotas anteriores talvez devidas à sua longa passagem pelo Governo e aos casos de corrupção política, que acabou a ser festejada em Portugal pela direita, como um bom exemplo. Mas por cá as coisas são tão diferentes...

Isabel Diaz Ayuso, a candidata do PP em Madrid (que ali está no Poder há muitos anos), elegeu como principal alvo de ataques não o seu rival na corrida do PSOE (Gabilondo), mas o próprio chefe do Executivo, o socialista demasiado moderado (comparando com os socialistas europeus) Pedro Sanchez. E apresentou a liberdade e sucesso económico da sua comunidade, como boa alternativa às medidas sanitárias do Executivo central de Sanchez (que seguiu vagamente, embora menos do que países como Portugal, as orientações europeias, que vinham sobretudo de gente do PP europeu, como a presidente da Comissão – uma adepta de Merkel, muito socializante, a Merkel, sobretudo internamente, na Alemanha), parece-me a mim mais do que o SPD ou sociais-democratas alemães, em políticas sociais.

Por outro lado, os espanhóis são muito ideológicos, mais do que nós, e estão dispostos a votar estupidamente na esquerda ou na direita, apenas porque são o seu espaço ideológico, e independentemente do que façam ou defendam.

Foi engraçado ver uma espanhola de direita dizer que iria viver no estrangeiro, se vencesse algum partido de esquerda, como o PSOE. Perguntada para onde, disse para Portugal. Quando a informaram de que o Governo português é de esquerda e socialista, ficou completamente perplexa.

De resto, Ayuso, esteve sempre pendente do Vox franquista e de extrema-direita até ao fim, e só quando soube que o seu Executivo passaria no Parlamento regional e não precisava de se aliar, optou por não se aliar. Apesar de o Vox ser constituído por gente muito estranha, nada conservadora (mesmo socialmente) e o PP ser já dos partidos conservadores europeus mais à direita (não falo obviamente dos extremistas do RN de Le Pen, ou da Liga do Norte de Salvini, ou mesmo dos casos mais corriqueiros dos húngaros e polacos) onde gente como Churchill já não teria lugar, mesmo sem alianças com o Vox.