Politica

PSD. Rui Rio admite sair a seguir às autárquicas

Presidente do PSD assume que eleições autárquicas podem ter uma leitura nacional. David Justino diz que é preciso avaliar se há condições para que a estratégia do atual líder tenha continuidade.


Rui Rio admite que um mau resultado nas eleições autárquicas pode abrir a porta a uma mudança na liderança do PSD. “Posso ter condições para continuar ou não”, afirmou esta quinta-feira o líder do PSD.

As afirmações de Rui Rio surgem depois de o Presidente da República ter lembrado, na entrevista à RTP, que o congresso do PSD é “essencial” para definir quem é o candidato nas próximas eleições legislativas. “Se é o atual líder ou se ele não quer ou não pode, qual é a decisão dos militantes”.

O presidente do PSD garantiu que não ficou incomodado com as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, porque “é rigorosamente como ele disse”. Ou seja, as eleições autárquicas “poderão ter uma leitura nacional”, como já aconteceu no passado, e tudo depende dos resultados. “Ele diz que há eleições autárquicas, é verdade. Diz que poderão ter uma leitura nacional, é verdade. Depois diz que, em função dessa leitura, posso ter condições para continuar ou não: é rigorosamente verdade. E depois diz, que mesmo que tenha condições, é preciso que eu queira. Também é rigorosamente verdade”, afirmou Rui Rio.

Rui Rio lembrou que as eleições autárquicas já tiveram consequências nacionais. Passos Coelho deixou a liderança do partido depois de um mau resultado nas últimas eleições autárquicas, em 2017.

Também David Justino admitiu que, a seguir às eleições autárquicas, Rui Rio vai fazer uma avaliação sobre “se há condições para que a estratégia que foi delineada há três anos tenha continuidade ou não”.

Numa entrevista à Rádio Renascença, o vice-presidente do PSD defendeu que se não existirem “condições políticas” para continuar “há que dar lugar a outros”.

O dirigente do PSD abordou também a relação entre o PSD e o Chega e criticou a participação de André Ventura na Convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), que se realiza a partir da próxima terça-feira. “O que o congresso está a fazer é reconhecer o Chega como uma força política importante. Para mim, o Chega é um deputado, mais nada”.

André Ventura desafiou esta semana o presidente para uma reunião sobre a política de alianças. O vice-presidente do PSD garante que o partido não mudou de estratégia. “O PSD reúne-se com quem muito bem entender. Relativamente a isso já dissemos o que tínhamos a dizer. Tudo está dito. E não há razão objetiva nem mudança significativa que nos leve a pensar de forma diferente”.

André Ventura anunciou, no início desta semana, que iria pedir uma reunião com o líder do PSD. “Da nossa parte, não ficamos contentes com o crescimento único do Chega enquanto o PS se perpetua no Governo. Vou propor esta semana uma reunião a Rui Rio para perceber se a ideia é continuar a permitir este estado de coisas ou fazer oposição dura e a sério, com o objetivo de salvar Portugal da destruição socialista”, escreveu o presidente do Chega, nas redes sociais.