Economia

Grupo Crédito Agrícola com resultado líquido consolidado de 72,5 milhões

No final de março de 2021, as moratórias aprovadas pelo Crédito Agrícola totalizaram 2.682 milhões de euros, num total de 27.040 contratos


O grupo Crédito Agrícola apresentou um resultado líquido consolidado de 72,5 milhões de euros (+114,6% face ao período homólogo) no primeiro trimestre de 2021, "um período marcado por um novo confinamento geral como medida de contenção da pandemia provocada pelo coronavírus"

De acordo com a instituição financeira, o negócio bancário contribuiu com 65,3 milhões de euros (+122,9% face ao período homólogo).

A carteira de crédito bruto a clientes ascendia a 11,4 mil milhões de euros, uma variação positiva de 7,0% nos últimos 12 meses e que superou a variação homóloga positiva de 5,4% registada pelo conjunto das instituições financeiras em Portugal para o mesmo período, reflectindo a continuação do apoio às famílias, empresas e instituições clientes do Grupo CA no actual contexto da crise pandémica.

No final de março de 2021, as moratórias aprovadas pelo Crédito Agrícola totalizaram 2.682 milhões de euros, num total de 27.040 contratos. Deste valor, 77,6% do montante corresponde a crédito a empresas, 13,9% corresponde a crédito habitação e 8,4% a outros créditos a particulares.

O Crédito Agrícola apoiou 4.237 empresas nacionais através da concessão de 317,7 milhões de euros ao abrigo das linhas de crédito protocoladas COVID-19, com a garantia do Estado.

Os recursos de clientes, sob a forma de depósitos bancários, totalizavam cerca de 17,6 mil milhões de euros, valor que denota um crescimento de 14,4% correspondente a 2.211 milhões de euros, em termos homólogos, demonstrando a confiança dos clientes no Grupo CA, num período de incerteza como o actual. Este aumento de recursos, superior ao aumento do crédito (líquido) concedido a Clientes, contribuiu para a redução do rácio de transformação que, no final do período, ascendia a 62,4%.

As comissões líquidas diminuíram 2,5 milhões de euros (-8,4%) e os resultados das operações financeiras reduziram 4,2 milhões de euros (-7,7%).

Nos primeiros 3 meses de 2021, os resultados registados nos veículos de desinvestimento imobiliário (nomeadamente via desvalorização de unidades de participação) penalizaram os resultados consolidados em -2,3 milhões de euros, verificando-se uma redução favorável de 1 milhão de euros face ao valor registado no período homólogo (-3,3 milhões de euros).

A rentabilidade alcançada pelo Grupo Crédito Agrícola a Março de 2021 (14,8% de ROE) espelha os resultados conseguidos nas diferentes componentes do Grupo (Caixas Agrícolas, Caixa Central, companhias de seguros vida e não vida e gestão de activos e fundos de investimento), sendo de assinalar os contributos positivos de 2,3 milhões de euros da CA Vida e de 1,5 milhões de euros da CA Seguros.

Os custos operacionais observaram uma redução homóloga de 3,8 milhões de euros que reflecte, essencialmente, a contenção observada nas rubricas de publicidade, avenças e honorários e outros serviços. A redução dos custos de estrutura e o aumento do produto bancário determinaram uma melhoria de 5,6% no rácio de eficiência que, com referência a Março de 2021, se situou em 48,2%.

As imparidades e provisões alcançaram 6,9 milhões de euros, evidenciando uma redução em termos homólogos de 20,7 milhões de euros, justificada essencialmente por: 18,2 milhões de euros de provisões genéricas constituídas no primeiro trimestre de 2020 para cobertura, ao longo de 2020, de riscos relacionados com activos imobiliários e carteira de crédito; uma diminuição de 10 milhões de euros nas imparidades de títulos de dívida face ao trimestre homólogo, decorrente da actualização dos cenários macroeconómicos e consequente desagravamento de PD e LGD; e em sentido contrário, pelo aumento das imparidades da carteira de crédito, em 6,8 milhões de euros e pelo aumento das imparidades de outros activos em 0,7 milhões de euros relacionadas, essencialmente, com imóveis por recuperação de crédito, face ao primeiro trimestre de 2020.

"O exercício de 2021 encerra níveis de incerteza ainda elevados que se poderão vir a reflectir ao nível do incremento de imparidades da carteira de crédito. Neste contexto, os próximos resultados trimestrais poderão sofrer alterações materiais decorrentes das actividades de acompanhamento regular da carteira de crédito, em particular, dos sectores mais afectados pela crise e com maior peso de contratos de crédito em situação de moratória", refere.