Brasil presente

Chegou a conta para Bolsonaro

A investigação do Senado compromete cada vez mais o Presidente na omissão no combate à pandemia e na compra de vacinas. E por ter um ‘gabinete paralelo’ orientando o Ministério da Saúde.


A política do confronto, a essa altura fora do controle, do Presidente Bolsonaro agrava seu desgaste. Tem usado de palavras fortes contra adversários, continua a participar de aglomerações, não usa máscara, condena com veemência instruções dos prefeitos e governadores pelo isolamento. A média de mortos diária continua acima de dois mil e a China, recentemente alvo de duros ataques do presidente, segura a exportação dos insumos para a fabricação das vacinas fabricadas no Brasil, e já falta, inclusive, imunizante para segunda dose.

O Presidente já está em desvantagem, com grande perda de popularidade, segundo mais de um instituto de pesquisas de opinião. E, assim, corre risco de perder a maioria, pois ano que vem tem eleições e, no Brasil, não se vota na lista partidária, mas sim no nome do candidato. Ninguém gosta de confusão.

A investigação do Senado compromete cada vez mais o Presidente na omissão no combate à pandemia e na compra de vacinas. E por ter um ‘gabinete paralelo’ orientando o Ministério da Saúde. Levando em conta a vacinação por cem mil habitantes, o Brasil anda pela casa do 20º e tanto entre todas as nações. Vacinar quase 40 milhões, pelo menos com uma dose, não é nada para a população de 215 milhões.O depoimento do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Araújo, deixa mal o  ex-minisrro da Saúde e o próprio Presidente . Complica-se cada vez mais e não percebe.
 
Variedades

• Graves acusações feitas em delação premiada pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral comprometem o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal. Divulgação de detalhes impediria que o processo fosse arquivado e a delação desconsiderada. Mas prevaleceu o corporativismo e o Supremo mandou arquivar. O Judiciário, desgastado, vai botando na rua os envolvidos na Lava-Jato, de amplo apoio popular.
 
• O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, aos 89 anos, lança seu livro de memorias, Um Intelectual na Política. A obra tem mais de 400 páginas e fala mais de sua vida e menos dos oito anos como presidente, aos quais já dedicou quatro volumes. FHC é controvertido como político, mas sempre cumpriu com correção a chamada liturgia do cargo. E está em plena forma.

• O mundo cultural brasileiro, especialmente o paulista, perdeu o artista plástico Carlito Carvalhosa, de 59 anos, de cancro no intestino. Foi um dos grandes nomes da arte contemporânea. Ele está nos principais museus de arte moderna brasileira e internacionais e fez exposições nos EUA, China e Coreia do Sul, figurando em coleções de referência.

• A tradicional La Fiorentina, restaurante emblemático na vida noturna do Rio, na Praia de Copacabana, fechou as portas. Vinha de longa crise, com problemas trabalhistas e uma execução por parte de um banco. Nas suas paredes, estão as assinaturas de centenas de nomes de referência na música popular e no jornalismo. Na calçada, entre as mesas, uma estátua do compositor Ary Barroso, frequentador do lugar.
• E o hotel número um do Rio, Copacabana Palace, hoje Belmond, foi multado por ter cedido seus salões para uma festa sem isolamento e uso da máscara.

• A Rede Globo vai gravar uma nova versão da novela Pantanal, que marcou época no início dos anos 1990 na extinta Rede Manchete. O sucesso deu tanto dinheiro que a emissora teria superado suas dificuldades se tivesse pagado as dívidas com os lucros da novela, que chegaram a passar, pela primeira e única vez, os da Globo. O ator Marcos Palmeira, que viveu Tadeu na primeira versão, foi contratado para outro papel.
 
Economia

• A produção brasileira de café nesta safra deve ser de 48 milhões de sacas, um terço do estimado consumo mundial. E com receita média superior aos demais produtos por ser predominantemente de arábica e parte Premium. O Vietnam é hoje o segundo produtor, maior fornecedor da indústria do solúvel.
 
• A atividade rural tem suas contradições. A produção nacional de azeite é pequena, mas de qualidade. Quase todos com menos de 0,6 de acidez, com azeitonas de origem espanhola, italiana e grega. Mas possuem o dobro do preço dos portugueses que dominam o mercado, como Galo, Andorinha e Mondego. Neste ano, a produção será de 300 mil litros.
                                                                      
• O crescimento do PIB para este ano está previsto em 3,5 por cento para o Governo, mas o setor privado acredita que possa passar de 4.0 por cento. O paciente é forte.

Rio de Janeiro, maio de 2021