Economia

TAP. Estado aumenta capital de 41,5 para 503,5 milhões de euros

Técnicos de manutenção da companhia aérea pediram “reestruturação verdadeira”.


A TAP aumentou o capital social em 462 milhões de euros, passando de 41,5 para 503,5 milhões de euros, no âmbito do apoio estatal à companhia aérea, informou a empresa em comunicado enviado à CMVM. “Foi realizado um aumento de capital da TAP, mediante a realização de uma entrada em dinheiro, no montante de 462 milhões de euros pela República Portuguesa, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, e a subscrição, pela mesma, de 92, 4 milhões  de novas ações ordinárias representativas do capital social da TAP, com o valor nominal unitário de  cinco euros”, disse. 

Na sequência da operação, o capital social da TAP foi aumentado para 503,5 milhões de euros (dos anteriores 41,5 milhões de euros). A companhia aérea passa a ter como acionista direto a República Portuguesa, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, com uma participação social representativa de cerca de 92% do capital (o que compara com 72,5% detidos até agora pelo Estado).

O comunicado sublinha que “este aumento de capital traduz-se num reforço da estrutura de capitais da TAP e não altera materialmente o controlo exercido sobre a TAP, na medida em que a República Portuguesa detém atualmente, direta e indiretamente, uma participação de 72,5% do capital social da TAP SGPS, o que significa que o beneficiário efetivo da TAP se mantém inalterado”.

Trabalhadores contestaram

No mesmo dia em que a TAP reforçou a sua posição, cerca de 150 técnicos de manutenção de aeronaves da companhia aérea concentraram-se  junto às instalações da companhia, em Lisboa, solidarizando-se com os 25 técnicos que a administração colocou em casa e em defesa de uma “restruturação verdadeira”. 

De acordo com o SITEMA -Sindicato dos Técnicos de Manutenção Aeronáutica, “o processo começou por volta de 19 de abril e foram enviadas cartas para uma série de colegas que foram colocados em casa e neste momento estão à espera sem saberem o que lhes vai acontecer relativamente ao futuro”. 

De acordo com o presidente da estrutura sindical, Paulo Manso, a situação é vista “de uma forma muito apreensiva”. E explicou: “Ao contrário de uma série de outras classes (na empresa) não acompanhámos o crescimento da frota, portanto, estávamos muito aquém do número de pessoas que era necessário para fazer o trabalho como deve ser feito em relação aos aviões”.

No entanto, admite que, “havendo uma redução, o espectável era não reduzir o número de técnicos de manutenção aeronáutica e que ficássemos mais ajustados àquilo que é o número de aviões que temos”, afirmando que a administração da TAP o que está a fazer com a reestruturação é “mandar mais pessoas embora”. E afirma: “Estamos a agravar mais ainda uma situação que já de si era grave e que agora, com a falta de profissionais a este nível, será pior”, já que um técnico demora 10 anos de formação a estar capacitado, descreveu.

O sindicato diz que “não compreende” como a TAP recusa trabalho na área de manutenção e engenharia e envia aviões para manutenção no Brasil, “ao mesmo tempo que se colocam trabalhadores em layoff e se prepara a desvinculação de outros por, alegadamente, não haver trabalho”.