Opiniao

A cultura e a internacionalização do poder local

Neste repto à cooperação e sustentabilidade entre cidades, Cascais tem todas as condições para se assumir como um verdadeiro centro diplomático internacional.


por Alexandre Faria 
Escritor, advogado e presidente do Estoril Praia

As fases de confinamento neste combate à pandemia evidenciaram necessidades que costumamos dar por adquiridas, tendo a nossa sociedade finalmente compreendido que a cultura, subestimada em tantos momentos, assume uma primordial relevância nas nossas vidas, atendendo às nefastas e arrasadoras consequências que a ausência do conhecimento e da arte podem trazer, com reflexos negativos em sucessivas gerações.

Tal como se tornou claro que as respostas a um problema comum só podem ser superadas mediante uma eficaz articulação entre todos, também parece notório que as lições desta fase restritiva não se podem perder, sob pena de nada aprendermos com as lições históricas que a natureza nos traz.

Os municípios portugueses beneficiam de importantes redes mundiais, assentes nas geminações com as suas cidades-irmãs, suscetíveis de aproximar culturas e de promover visões estratégicas mútuas, atendendo às vocações prioritárias de cada cidade. Sem perder a identidade que os caracteriza, este imperativo movimento globalizante constitui uma plataforma sólida entre entidades municipais e os seus munícipes, afirmando-os como cidadãos globais neste novo modelo de relacionamento internacional entre os povos.

Em termos culturais, através de um apoio local reforçado ao associativismo e às coletividades para a sua atividade regular, a realização de eventos onde os grandes nomes internacionais se juntem aos artistas locais garante a partilha das identidades locais e a projeção dos talentos de cada concelho.

No caso concreto de Cascais, destino turístico de eleição onde o respeito pela multiculturalidade é parte integrante de um concelho historicamente virado para os novos mundos, dispondo de um inédito plano estratégico para as relações internacionais aprovado em 2012, a ligação de amizade e de cooperação com cidades de semelhantes valores permite potenciar a elaboração de parcerias indispensáveis às empresas locais, enfrentando os desafios comuns de desenvolvimento e a promoção dos seus valores por vários continentes.

Neste repto à cooperação e sustentabilidade entre cidades, Cascais tem todas as condições para se assumir como um verdadeiro centro diplomático internacional, encarando o oceano de frente, num eixo estratégico indispensável à afirmação e à construção de um paradigma sustentado de desenvolvimento cultural e económico.