Sociedade

Champions. Rui Moreira rejeita as críticas de Rui Rio e faz balanço positivo do evento

“Não é possível dizer que vêm em bolha e depois não vêm em bolha”, garantiu Marcelo.


Para Rui Moreira não há dúvidas: “o evento trouxe à cidade mais pontos positivos do que negativos” e defendeu o Governo das críticas do Futebol Clube do Porto (FCP), quando o clube pediu a demissão do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, pela dualidade de critérios sobre eventos desportivos em Portugal.

O também recandidato às próximas eleições autárquicas garantiu não compreender porque é que “Rui Rio não se manifestou muito preocupado quando aconteceram os festejos organizados pela Câmara Municipal de Lisboa e agora está preocupado com um evento internacional que foi organizado pelo Governo com a Federação Portuguesa de Futebol e com a liga de clubes no qual à Câmara Municipal do Porto apenas foi pedido apoio na receção aos adeptos que ontem chegaram e ontem se foram embora”.

Recorde-se que o líder do PSD não poupou críticas ao autarca da cidade e ao Governo, a quem acusa de nada terem aprendido com o que se passou na capital, com os festejos da conquista do campeonato do Sporting. “O Governo e a Câmara do Porto deviam pedir desculpa aos portugueses, que privados de tanta coisa, assistem a esta vergonha em pleno combate à pandemia”, escreve, partilhando a notícia de que dá conta de que houve um ferido e um detido em confrontos protagonizados na Ribeira.

Rui Rio considera que ambos “nada aprenderam com o que se passou em Lisboa”, e considera mesmo que o que se passou este sábado “foi bem pior”.

Também a coordenadora do Bloco de Esquerda considerou incompreensível que se permita a uma iniciativa como a final da Liga dos Campeões aquilo que os portugueses estão impedidos de fazer, atribuindo responsabilidades ao Governo e à Câmara do Porto. “Parece-me que não é compreensível permitir-se a uma iniciativa aquilo que não se permite à generalidade dos cidadãos e das cidadãs deste país”, criticou Catarina Marques.

E garantiu: “Achamos que são sempre necessários os maiores dos cuidados. Portugal deve ter uma posição que seja compreendida por toda a comunidade na forma como impõe regras para prevenir riscos de covid-19. Sabemos que o ar livre é bem mais seguro do que os espaços fechados, sabemos que há já população vacinada, mas sabemos que são precisos cuidados”.

Marcelo crítica O Presidente da República não poupou críticas ao evento. Não se pode dizer que temos que obedecer às regras, fixa-se um limite e depois o limite já não é esse, é outro”, afirmou, salientando também que “não é possível dizer que [os adeptos] vêm em bolha para assistir a um espetáculo desportivo e depois não vêm em bolha, não é possível”. E sublinhou: “Aí ou há um discurso ou há outro, tem de haver um discurso”, sustentando que “aquilo que tem de ser o discurso a fazer perante uma situação tem que bater certo com a realidade”. “Porque se de repente há coisas que não batem certo com a realidade há uma perturbação e há uma crítica das pessoas”, alertou o Presidente da República.

Já quando questionado se este foi “um ato falhado”, disse não saber se o é, mas apontou que “houve circunstâncias que não correram aparentemente como aquilo que tinha sido dito que iria correr”. E foi mais longe: “Não nos devemos agarrar ao ato em sim mesmo, devemos agarrar é à dificuldade de ir fazendo este processo de uma maneira que seja compreensível e aceitável para os portugueses”, considerando que “acontece” e constitui “uma lição para o futuro”.