Internacional

Encontrados vestígios humanos datados do século XVIII na ilha de Santo Eustáquio

A equipa de arqueólogos holandeses espera, com esta descoberta, conseguir expandir as informações conhecidas desta ilha localizada no mar do Caribe.

Os arqueólogos verificavam uma área necessária para a expansão de um aeroporto, na ilha de Santo Eustáquio, quando foram surpreendidos por um cemitério do século XVIII, no local que seria uma antiga plantação de açúcar, na passada terça feira, dia 1 de junho. Segundo um comunicado por parte das autoridades, até agora, foram encontrados no local, 48 esqueletos, a maioria de homens, mas também de algumas mulheres e crianças.

Alexandre Hinton, diretor do Centro de Pesquisa Arqueológica de Santo Eustáquio, disse ao site Phys, agregador de notícias de ciência, pesquisa e tecnologia com sede na Austrália, que este é “um dos maiores depósitos do Caribe”, acrescentando ainda que, dada a localização perto da antiga plantação, “as análises iniciais sugerem que esses corpos podem ter pertencido a descendentes de africanos e pode fornecer um tesouro de informações sobre a vida de pessoas escravizadas”. Até o momento, os arqueólogos encontraram os esqueletos de dois indivíduos “com modificação dentária, o que é costume na África Ocidental”, explicou. Normalmente os proprietários de plantações não permitiam que pessoas escravizadas fizessem isso, portanto, esses indivíduos, “foram escravos da primeira geração que foi enviada para a ilha”, adiantou.

O diretor do Centro de Pesquisa Arqueológica revelou ainda que a descoberta não deve ficar por aqui, pois “muitos outros restos mortais devem estar nas sepulturas da antiga plantação de Golden Rock”. A maioria dos túmulos contém restos de caixões, pregos e objetos que foram enterrados com os respetivos falecidos, como vários cachimbos intactos e pratos de cerâmica.

Hinton afirmou que especialistas de várias universidades ao redor do mundo, “irão analisar os restos mortais para aprender mais sobre a vida dos indivíduos enterrados”. Será a Universidade de Leiden, na Holanda, que conduzirá as “análises de isótopos estáveis” para determinar as dietas das pessoas e se elas nasceram na ilha, ou não. Por outro lado, a Universidade de Harvard, nos EUA, ficará encarregue das análises de ADN para descobrir de onde as pessoas vieram e, a Universidade Northumbria, na Inglaterra, fará estudos das proteínas de forma a descobrir, que tipos de doenças afetaram a comunidade.

Um dos resultados mais importantes da investigação, esperam, será uma melhor compreensão da vida dos escravos no Caribe. Muito do que se sabe sobre as suas vidas foi descrito por pessoas poderosas, como administradores coloniais e proprietários de plantações, fontes essas que podem ser tendenciosas ou incompletas. A ilha de Santo Eustáquio, fica na parte nordeste do Caribe e foi colonizada pelos holandeses em 1636, tornando-se num importante porto de trânsito para o comércio regional de açúcar e escravos da África Ocidental.