Economia

Novo Banco. BCP diz que beneficia com taxa negativa do empréstimo

Ex-sócio de Vasconcellos fez denúncia na PGR devido a fugas de ativos para o Brasil. A garantia foi dada pelo gestor Rafael Mora, na AR. 


Os bancos concederam uma linha de 475 milhões de euros ao Fundo de Resolução com uma taxa de juro negativa. Uma situação que leva, o presidente da instituição financeira, a garantir que a instituição financeira beneficia do facto de o empréstimo ter taxas negativas, uma vez que, o Fundo de Resolução se tiver menores encargos no futuro isso também vai representar um menor fardo para o banco, que é o maior contribuinte do fundo. “O BCP é o maior contribuinte do ponto de vista proporcional. Quanto menores encargos tiver o Fundo de Resolução, menos vou pagar. Estou claramente interessado em que o Fundo tenha menos encargos”, explicou o CEO do banco, Miguel Maya, na comissão de inquérito ao Novo Banco.

As contas do banqueiro são simples: “Quanto é que ganho em margem com um spread maior versus o que é que beneficio, uma vez que a estrutura de pagamento é tão desequilibrada para o BCP, pelo facto de quanto maior for o empréstimo, os outros mais recebem e o BCP mais vai pagar porque tem uma quota maior nas contribuições”, disse aos deputados.

E acrescenta: “Quanto mais negativa fosse a taxa, melhor para o BCP”, respondeu. Recorde-se que o banco contribui com cerca de 50 milhões de euros para o Fundo de Resolução todos os anos, tendo feito já contribuições acumuladas de 400 milhões de euros.

Esta não é a primeira vez que Miguel Maya crítica o modelo de contribuições para o Fundo de Resolução, uma vez que, considera que “é injusto”, e que acaba por penalizar os bancos sediados em Portugal. 

Denúncia

Também o gestor Rafael Mora – ex-sócio de Nuno Vasconcellos, – fez uma denúncia contra o líder da Ongoing na Procuradoria-Geral da República (PGR) devido a fugas de ativos para o Brasil, revelou ontem no Parlamento. “Em 12 de junho de 2018, eu e o meu sócio André Parreira interpusemos junto da Procuradoria-Geral da República uma denúncia contra o doutor Vasconcellos. Denúncia essa que sofreu um aditamento em 11 de setembro de 2018”.

Questionado pelo deputado Hugo Carneiro (PSD) sobre o conteúdo da denúncia, o gestor disse que na audição parlamentar a Nuno Vasconcellos - que terminou antes do tempo, com o acordo dos deputados, devido a falta de colaboração do depoente - Mariana Mortágua (BE) “pôs o dedo na ferida” ao referir a Affera.

“A pergunta foi sobre a Affera. Quando mencionou a palavra Affera, ali acabou o processo. Porque é uma das protagonistas da nossa denúncia”, afirmou, referindo-se a uma sociedade sediada no Panamá. E gatantiu que soube da existência daquele veículo offshore pela imprensa. “Na altura, estava envolvido num processo judicial nos Estados Unidos, contra o doutor Vasconcellos, que me custou uma fortuna. Estava a tentar apropriar-se indevidamente de um ativo que não lhe correspondia”, adiantou aos deputados.

Rafael Mora disse ainda ter dito aos seus colegas administradores das empresas start-up adquiridas e ligadas à Ongoing e a Nuno Vasconcellos de que “tinha a suspeita de que isso poderia vir a acontecer”. E foi mais longe: “No final de 2015, todos foram forçados a fazer aquele desvio de ativos. Todos negaram e todos foram despedidos”, deixando claro que defende que créditos concedidos num país devem corresponder garantias na mesma jurisdição.