Cultura

Uma moeda de ouro de 1933 torna-se a mais cara do mundo ao ser vendida por 15,5 milhões de euros

O exemplar faz parte da última série de moedas conhecidas como Double Eagle, emitidas pela Casa da Moeda dos Estados Unidos.


Uma moeda de ouro americana apelidada de Double Eagle e datada de 1933 foi leiloada no dia 8 de junho, na Casa de Leilões Sotheby's, em Nova York, por 18,87 milhões de dólares, cerca de 15,5 milhões de euros, tornando-a a mais cara em todo o mundo. Na mesma venda, aquele que é considerado “o selo mais valioso do planeta” não ultrapassou o preço mínimo que os especialistas lhe haviam concedido.

A moeda foi descrita no leilão como "a Mona Lisa das moedas” e levou alguns segundos para subir do preço inicial de 7 milhões para 10 milhões de dólares, de 5,75 para 8,2 milhões de euros. Só após vários “lances” é que a quantia subiu para 16,75 milhões de dólares, cerca de 13,7 milhões de euros, oferecidos por um comprador que se encontrava ao telefone, com quem a venda foi liquidada. 

Relativamente aos impostos e taxas adicionais, o preço total que o comprador anónimo pagará pela Double Eagle de 1933 será de 18.872.250 milhões de doláres, notavelmente acima do preço estimado que rondava os 10 e 15 milhões de dólares, cerca de 8,2 a 12,3 milhões de euros. 

Esta moeda ultrapassa assim, quase em dobro, o valor dado em janeiro de 2013, à Flowing Hair de 1794, considerada a moeda mais cara até agora. Nessa altura, foram desembolsados ​​pouco mais de 10 milhões de dólares por ela. Contudo, quando se tentou novamente leiloá-la em outubro passado, esta não atingiu o preço mínimo exigido e, por isso, não foi vendida.

Double Eagle, feita de ouro reluzente, mostra uma mulher personificando a liberdade de um lado e uma águia a voar do outro, desenhadas pelo escultor americano Augustus Saint-Gaudens e destaca-se como a única do seu tipo a permanecer em mãos privadas, já que todas as outras são propriedade da Casa das Moedas dos Estados Unidos. 

Este modelo nunca foi colocado em circulação, já que depois de cunhada, foi retirada pelo presidente Franklin Roosevelt que, em 1933, decidiu que os Estados Unidos deixariam de apoiar as suas moedas com reservas de ouro, como medida de controlo da depressão económica que atingiu o país. Depois disso, os Estados Unidos nunca mais cunharam moedas de ouro, com exceção de séries limitadas de colecionador. 

No entanto, alguns exemplares apareceram no mercado de colecionadores, antes de serem apreendidos pelos serviços secretos dos Estados Unidos. Com exceção de uma Double Eagle que fazia parte da coleção numismática (o estudo sob o ponto de vista histórico, artístico e econômico das moedas e medalhas) do rei Farouk, do Egito.

A moeda de ouro foi comprada em 1995 por um colecionador britânico que, após uma batalha legal de cinco anos, foi autorizado a revendê-la legalmente ao seu atual proprietário, o designer americano Stuart Weitzman, por 7,9 milhões de dólares, cerca de 6,49 milhões de euros, em 2002. 

Depois dessa venda, a diretora da Casa da Moeda dos Estados Unidos deu a Weitzman um certificado de monetização, que transformou o objeto em moeda oficial dos Estados Unidos.

Juntamente com a moeda, dois outros selos importantes foram leiloados: um trio de itens de colecionador que passaram vários anos nas mãos de Weitzman, que os comprou individualmente para realizar um dos seus grandes desejos. “Era um sonho de infância ter o melhor selo do mundo, a melhor moeda do mundo e o melhor selo americano do mundo”, explicou Richard Austin, diretor do Departamento de Livros e Manuscritos da Sotheby's.

Contudo a venda do selo apelidado de The British Guiana, desiludiu. Os especialistas da Casa de Leilões nova iorquina, estimaram que  o valor estivesse entre 10 e os 15 milhões de dólares, entre os 8,2 e 12,3 milhões de euros, mas o seu preço de martelo permaneceu nos sete milhões de dólares, 5,75 milhões de euros. Deste selo, emitido em 1856, só se conhece uma cópia, redescoberta em 1873 por um menino de 12 anos apaixonado pela filatelia que o encontrou entre uma série de papéis, abandonando-o sem conhecer seu caráter raro e único. 

O terceiro objeto, é um  bloco de quatro exemplares do selo mais popular dos Estados Unidos, o Jenny Inverted, leiloado por quatro milhões de dólares, cerca de 3,3 milhões de euros, ou 4,8 milhões de dólares no valor total, 3,9 milhões de euros. Estes selos foram comprados pela primeira vez em 1918 e nos quais aparece um biplano Curtis JN-4, apelidado de Jenny, que devido a um erro de impressão estava de cabeça para baixo.