Governo e task-force analisam “forma mais rápida” para vacinar imigrantes ilegais

No início do mês, o coordenador da task-force, vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, indicou que este processo passará, numa primeira fase, pela atribuição de número de saúde a estes imigrantes não legais. 

O governo e a task-force da vacinação contra a covid-19 estão a preparar uma forma mais rápida de vacinar os imigrantes ilegais.

"Segundo o plano nacional de vacinação contra a covid-19, a vacina é universal, ou seja, destina-se a qualquer pessoa com residência em Portugal, desde que esteja clinicamente indicada para essa pessoa", disse, esta segunda-feira, uma fonte da task-force à agência lusa.

O plano de vacinação dos imigrantes ilegais “está em curso, estando a ser avaliada a forma mais rápida de trazer estes imigrantes ao processo”, num trabalho realizado entre a task-force, Ministério da Saúde e várias secretarias de estado, entre as quais a da área de Integração e Migrações, explicou a mesma fonte.

Recorde-se que no início do mês, o coordenador da task-force do plano de vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, indicou que este processo passará, numa primeira fase, pela atribuição de número de saúde a estes imigrantes não legais, permitindo assim um acompanhamento pelos serviços de saúde.

"Não podemos deixar pessoas que vivem em território nacional sem vacinação. Não podemos ser egoístas. A comunidade não pode ser egoísta. Essas pessoas sem vacinação vão atacar a própria comunidade porque são propagadoras de vírus", afirmou Gouveia e Melo na altura.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou, também no início de junho, para o risco de exposição dos migrantes à covid-19, devido aos “trabalhos precários” e ao “alojamento superlotado”, ao recomendar um acesso equitativo à vacinação.

"Embora as populações migrantes em toda a UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] sejam extremamente heterogéneas, há provas de que algumas comunidades migrantes podem estar em alto risco de exposição e infeção pelo SARS-CoV-2 e estão desproporcionadamente representadas em casos, hospitalizações e mortes", sublinhou o ECDC num relatório.

Nesse documento, o ECDC explicou que as populações migrantes nos países da União Europeia, entre eles Portugal, “foram desproporcionalmente afetadas pela pandemia”, ao sofrerem “uma série de impactos sanitários e sociais”.