À Esquerda e à Direita

O país da esquerda caviar e da direita da sardinha assada

Vivemos um tempo em que temos que nos castigar pelo passado dos nossos antepassados; que temos que carregar a culpa pelos crimes dos abusadores sexuais;  que temos de proibir o belo a favor do feio; em que os animais devem sentar-se à mesa e nós sentarmo-nos no chão; em que os ricos deem lugar a pobres e não o contrário. Enfim, vivemos um tempo, como diz o meu amigo Gigi, em que temos uma esquerda caviar e uma direita de sardinha assada.


Sou um otimista convicto e penso que as sociedades têm a capacidade de se regenerarem, apesar de, algumas vezes, baterem bem no fundo. Que é para onde está a ser atirada a cultura ocidental. Diria mesmo, citando um amigo, que os fundamentalistas islâmicos não precisam de fazer nada para conquistarem o ocidente. Os sinais são tantos que não há uma semana que não tenhamos conhecimento de mais uma bizarria destes novos inquisidores. É impressionante como pequenas minorias vão conseguindo impor as suas ditaduras às maiorias.

No que aos costumes diz respeito, acredito que os inquisidores ainda venham a  determinar, por exemplo, o fim das loiras e que só possam existir morenas. Vem esta conversa a propósito da decisão da Victoria’s Secret ter acabado com os seus anjos para dar lugar ‘às’ novas embaixadoras, onde pontificam uma jogadora de futebol feia que nem trovões, mas que é lésbica assumida, uma rapariga que usa um número abaixo do meu, uma asiática, uma transgénero e por aí fora. Acusada de sexista, a marca cedeu aos novos inquisidores e as minorias serão assim as maiorias.

Para estes novos ditadores convém sempre esclarecer tudo para que não se agarrem a mentiras. Já o escrevi dezenas de vezes, mas para que não restem dúvidas, é-me completamente indiferente o que as pessoas fazem da sua vida sexual, se são gordas, magras, brancas, negras, amarelas ou azuis. Sou um adepto feroz da diversidade, desde que cada um possa ser o que muito bem quiser ser. A marca de lingerie ‘vendia’ a ideia de mulheres sedutoras através da roupa interior. Claro que nenhum dos anjos jogava no meu campeonato dos gordinhos, nem tão pouco também, das magricelas de algumas marcas. Que me lembre, eram todas mulheres ditas ‘normais’, mas muito bem feitas e muito bonitas.

 Se falo deste caso é apenas porque é um belo exemplo do que estamos a viver, onde os Louçãs da vida vão conseguindo impor aquilo que não conseguiram através dos votos.

Vivemos um tempo em que temos que nos castigar pelo passado dos nossos antepassados; que temos que carregar a culpa pelos crimes dos abusadores sexuais;  que temos de proibir o belo a favor do feio; em que os animais devem sentar-se à mesa e nós sentarmo-nos no chão; em que os ricos deem lugar a pobres e não o contrário. Enfim, vivemos um tempo, como diz o meu amigo Gigi, em que temos uma esquerda caviar e uma direita de sardinha assada.

Um tempo em que um presidente de câmara dá uma conferência de imprensa onde demonstra os erros que a sua autarquia cometeu nos últimos anos, mas que, apesar disso, continua tudo igual, arranjando-se um bode expiatório. Fernando Medina devia de ir ao oftalmologista pois está a ver uma  realidade muito turva.

P. S. A ‘guerra’ entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa talvez tenha uma ‘namorada’ pelo meio, que se chama birra. O que terá feito o primeiro-ministro que desagradou tanto ao Presidente da República? Certo é que o irritou a um ponto de ter dito um dos maiores disparates do seu novo consulado: que com ele não contem para um retrocesso no desconfinamento. Nem foi preciso esperar muito tempo. Na quinta-feira, o Governo assumiu um novo cerco a uma área, no caso em apreço a da zona metropolitana de Lisboa, de onde ninguém deve poder sair ou entrar ao fim de semana. Será que a Área Metropolitana de Lisboa já não faz parte de Portugal? Ou o Presidente da República também já não lê nem vê notícias? E o problema é que tudo indica que este retrocesso não irá ter efeitos práticos, segundo os especialistas, e que num futuro próximo será necessário apertar de novo as regras do confinamento. O que fará Marcelo? Demitirá o Governo? 

vitor.rainho@sol.pt