Internacional

Brasil ultrapassa meio milhão de mortes por covid-19

Face ao elevado número de mortes, milhares de brasileiros deslocaram-se para as ruas para pedir a demissão do “genocida” Bolsonaro.


Enquanto o Brasil sofre com o atraso no processo de vacinação e com a recusa do Governo em voltar a implementar medidas de distanciamento social, o país ultrapassou o meio milhão de mortes provocadas pela covid-19 e especialistas afirmam que o pior pode ainda estar para chegar.

Até ao momento, no Brasil, o segundo país com o maior número de mortes devido à pandemia, apenas 11% da população foi totalmente vacinada e, com a chegada do inverno e a circulação de novas variantes do vírus, é possível que as mortes continuem a aumentar. “Acredito que iremos superar as 700 mil ou as 800 mil mortes antes de conseguirmos sentir os efeitos da vacinação”, disse à Reuters Gonzalo Vecina, ex-líder da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a reguladora de saúde brasileira.

Protestos contra o “genocida” Apesar de os manifestantes anti-Bolsonaro terem evitado juntar-se em protestos, numa altura em que o Brasil tem registado em média cerca de 80 mil novos casos de infeção por dia, milhares de manifestantes têm-se dirigido para as ruas de forma a condenar a gestão da pandemia por parte do Governo.

“Estamos a protestar contra o Governo genocida de Bolsonaro que não comprou vacinas e não fez nada para proteger as suas pessoas durante o último ano”, disse à Al Jazeera Aline Rabelo, uma mulher de 36 anos, que se encontrava nos protestos em Brasília. “Este Governo, sob a liderança da praga chamada Bolsonaro, dá-me vontade de sair de casa”, revelou ao Guardian Oswaldo Pinheiro, engenheiro de 75 anos reformado. “Mesmo com a minha idade, vou lutar contra este governo genocida que não tem qualquer respeito pelos pobres. Enquanto houver marchas, eu estarei presente”.

Investigação O governo brasileiro está a ser fortemente criticado por ter deixado passar a oportunidade de comprar vacinas mais cedo. Inclusive, a farmacêutica Pfizer revelou que não recebeu nenhuma resposta por parte da administração de Bolsonaro entre agosto e novembro do ano passado. Em detrimento das vacinas, o Presidente tem insistido na adoção de medicamentos considerados já ineficazes contra a covid-19 como, por exemplo, a cloroquina. A atuação de Bolsonaro está a ser investigada por um comité especial, que também está a analisar a conduta do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, do seu antecessor no cargo e general do Exército Eduardo Pazuello, e do antigo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, suspeitos de terem promovido medicamentos ineficazes contra o coronavírus, dificultando a compra de vacinas e o combate à pandemia.