Politica

Jerónimo de Sousa diz que Governo "assobia para o lado"

Discursos inaugurais das Jornadas Parlamentares do PCP marcaram-se pelas defesas laborais.


Começaram ontem as Jornadas Parlamentares do PCP – as primeiras desde que surgiu a pandemia. Os trabalhos estão a ser levados a cabo na Casa do Alentejo, em Lisboa, e decorrerão até ao final do dia de hoje. Este foi o sítio escolhido pois, explicou João Oliveira, há “caminho a fazer para inverter” a contínua “falta de apoios do Estado Central ao associativismo e às coletividades de base popular”.

A manhã foi marcada pelos discursos de João Oliveira, presidente do grupo parlamentar do PCP e Jerónimo de Sousa, secretário-geral do partido.

João Oliveira começou o seu discurso mantendo-se fiel à narrativa comunista e criticando “as debilidades e vulnerabilidades a que mais de quatro décadas de política de direita sujeitaram o país”, o que evidencia com “cristalina clareza a necessidade da política alternativa defendida pelo PCP”. Seguiu explicando que essa ideia ficou “particularmente evidente” neste contexto “epidémico”, que serviu como “pretexto para agravar a exploração, liquidar direitos, degradar as condições de vida dos trabalhadores”, dando os exemplos dos “despedimentos”, de se “impor a desregulação dos horários de trabalho”, de se “reforçar o poder dos grandes grupos económicos” e de se “condicionar o desenvolvimento nacional”. A resposta a isto é, afirma, a maior prioridade destas jornadas parlamentares. Por fim, deixou críticas ao Governo e à sua gestão da “epidemia”, sublinhando a necessidade de, em segurança, se retomar a vida nacional.

Já o discurso de Jerónimo não passou muito de um aprofundamento do discurso do líder de bancada. Jerónimo musculou a narrativa anti-direita – contra os governos do “PS, PSD e CDS” – e içou mais alto a defesa dos “trabalhadores e do povo”. Acrescentou, contudo, alguns pontos. Na educação fez uma defesa dos “milhares e milhares de professores [que] não têm vaga de vinculação”, assim como demonstrou preocupação para a “recuperação das aprendizagens dos alunos forçados ao confinamento”. Depois, apontou o dedo ao “aumento significativo do preço dos combustíveis, da energia e de outros fatores” que, explica, “tem impacto nos custos das empresas, mas também no aumento do custo de vida em geral”, acusando o Governo de “assobiar para o lado” perante a situação. Seguiu criticando-o: este “permanece acorrentado nas suas opções e orientações de fundo às teses (…) da direita” e continua a “colocar-se contra os trabalhadores”. Entrando pelo flanco da covid - à qual se refere como “epidemia” e não pandemia -, o comunista acidificou a crítica ao Governo, acusando-o de estar a atribuir a degradação do país aos indivíduos com o objetivo último de “iludir a ausência ou insuficiência das medidas que se impõem”. Enumerou, por fim, uma série de iniciativas apresentadas no Parlamento pelo PCP – todas elas em defesa dos trabalhadores.