Opiniao

Um novo partido político? O Partido Cartista, dos Cartistas, ou dos ‘mesmos’


Então e como vai a Vida? Nunca deixou de ser para mim, no mínimo, um mistério que os ‘mesmos’, que sempre são do contra e mal de tudo dizem, apareçam no coro ( nacional e internacional) dos que tecem , .elogios às Forças Armadas de Portugal que, de fato, bem os merecem. 

Coerência e pudor exigem-se.

Autoproclamando-se e autoungindo-se como ‘Pares do Reino’, atuando como se fossem uma autêntica ‘nobreza militar’, os ‘mesmos’ andam novamente por aí, intervindo nos locais de sempre e fazendo uso dos instrumentos habituais: entre outros, o PR, Partidos Políticos e Comunicação Social, utilizando arregimentados e assalariados.

Como ‘casta’ que julgam ser, arrogam-se ao direito de serem ouvidos e bem tratados, direito que, em muitos casos, negavam a outros quando chefiavam. Reclamam um estatuto que não existe – serem ‘Senadores da República’ – num Senado inexistente e, se existisse, teriam que se sujeitar a sufrágio, conceito de que reconhecidamente não gostam.

Bem escreveram recentemente duas jornalistas experientes, conhecedoras e livres em artigos no jornal Público. Com efeito, São José Almeida e Teresa de Sousa, cada uma ao seu estilo, disseram tudo… está lá tudo, mas apenas para quem queira ler e compreender.

Numa democracia que está quase a completar cinquenta anos e a iniciar festejos é inaceitável e incompreensível a ‘reverencial’ aceitação deste tipo de comportamento por parte de vários atores políticos, especialmente de alguns que a tudo assistiram e ainda tentam justificar o injustificável (José Miguel Júdice e Marques Mendes, entre outros) expressando ‘medo das armas’ e evocando valorosos serviços prestados à Nação, que mais não são que uma obrigação voluntariamente assumida em cerimónia solene – o Juramento de Honra e de Fidelidade. 

Para se ser respeitado, antes do mais, é preciso dar-se ao respeito e, estes senhores – os ‘mesmos’ – por palavras, atos e obras que fizeram e produziram não ganharam tal direito.

Agora a moda são as Cartas, que aparecem por tudo e por nada. Está encontrado o veículo adequado para os ‘mesmos’, muitos dos quais embarcaram na tentativa de ‘mexicanização’ do regime através do Partido Renovador Democrático, um ‘Partido Presidencial’ patrocinado por Ramalho Eanes que foi uma aventura e um insucesso clamoroso, quiçá movidos por motivações semelhantes, tentem agora o aparecimento de um Partido Cartista ou de Cartistas.

No processo de ativação até já recorrem aos Oficiais da ‘Reserva Naval’. Aos mais jovens recordo que se tratava de uma elite do Estado Novo, os escolhidos e eleitos do salazarismo, que ‘cumpriram’ o Serviço Militar Obrigatório em ‘limpo e em seco’, logo em terra e longe da guerra. Competia-lhes defender o regime e a situação… e agora são chamados a pagar o ‘tributo’.

Assim, perante um simples ato de aperfeiçoamento de diplomas legais existentes, o reforço das competências do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), ei-los que avançam ‘a todo o vapor’ recorrendo a tudo e a todos, mesmo àqueles que já tinham erigido como os piores inimigos, com a ‘carroça’ dos conhecidos e estafados argumentos de oposição a quem, legitima e democraticamente, compete governar.

É tempo de dizer basta à mentira, à perfídia, à mistificação, à usurpação e ao embuste.

Basta ler as recentes declarações prestadas pelos Chefes dos Ramos nas audições da Comissão Parlamentar de Defesa da Assembleia da República para se constatarem duas posturas muito diferentes: de um lado encontramos mais do mesmo e dos ‘mesmos’, e do outro o relato circunstanciado e objetivo do CEMGFA, que descreveu, com cristalina competência e reconhecida clarividência, as razões que levaram à apresentação desta proposta, absolutamente necessária e urgente.

Pergunte-se aos atuais Chefes dos Ramos se, porventura chegassem a CEMGFA, que modelo desejariam?

As alegadas prioridades podem resumir-se a uma única que é fazer e fazer bem, coisa que podiam ter feito e não fizeram.

Infelizmente, para mal das Forças Armadas, o que resta é uma ‘cruzada’ de um Almirante ‘manobrador e agitador’ e seus tradicionais e obedientes acólitos , que não perdoa, àquele que como diz ‘serviu sob as suas ordens’, a ousadia de este se ‘soltar da obediência’ e querer Comandar bem e de acordo com as realidades que se impõem.

Haja pois paciência, que já muito falta, para ouvir falar de faltas, compras, negócios de manutenção nas OGMA e Arsenal, para depois os ‘interesses’ serem atribuídos aos políticos.

Foquemo-nos no que hoje é verdadeiramente importante como sejam a Condição Militar, o Sistema de Saúde Militar e a Ação Social Complementar.

Com oportunidade relembro aos ‘mesmos’ que se, em 1992 , o Governo de Cavaco Silva não tivesse ‘imposto’ a aprovação da designada ‘Lei dos Coronéis’, que contou com um veto de Mário Soares e um ambiente fortemente agitado pelosos ‘mesmos’… muitos dos atuais ex-Chefes Militares não teriam chegado onde chegaram…. e por aqui me fico, por hoje.

Um último conselho aos atuais Chefes dos Ramos das Forças Armadas

Considerando este triste e lamentável acontecimento, se não se sentirem confortáveis com as alterações e clarificações introduzidas, de acordo com o que nos foi ensinado e assumido, espero que assumam, sem tibieza e com lealdade, o vosso pedido de demissão.

Do senhor ministro da Defesa Nacional, que até tem demonstrado coragem, estou certo, que se não estiver confortável com os Chefes dos Ramos, os demita e proponha outros. 
SIM, porque a Vida continua… quem quiser ficar que fique… ‘porque a malta continua’… como alegre e convictamente cantamos nas nossas marchas.