PR diz que temos de reconhecer o que Merkel fez pela Europa, mas considera “inevitável” haver regras diferentes dentro do espaço europeu

“O que disse a chancelerina Angela Merkel corresponde a um problema europeu, isto é, na Europa cada país decidiu unilateralmente quer a entrada quer a saída dos outros europeus, quer as formas de restrição interna de acordo com a evolução da epidemia”, apontou o chefe de Estado.

Após o ministro dos Negócios Estrangeiros se opor às criticas da chanceler alemã sobre Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou, esta quarta-feira, o papel de Angela Merkel na União Europeia. Porém, o chefe de Estado considerou inevitável haver regras diferentes dentro do espaço europeu sobre as condições de entrada e saída em cada Estado-membro.

"Há uma coisa que temos de reconhecer, independentemente do que ela diga: é a gratidão que devemos à chancelerina Angela Merkel por aquilo que fez pela Europa. Isso nós todos agradecemos e é bom que seja dito agora que está a três meses de sair", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma visita a um centro de vacinação contra a covid-19 num pavilhão da Cidade Universitária.

Interrogado sobre as críticas que Merkel teceu sobre a falta de regras comuns na União Europeia (UE) em relação às viagens, usando Portugal como exemplo de uma situação “que talvez pudesse ter sido evitada”, o Presidente da República contra-argumentou ao dizer que “é uma inevitabilidade” cada Estado-membro adotar as suas regras.

"O que disse a chancelerina Angela Merkel corresponde a um problema europeu, isto é, na Europa cada país decidiu unilateralmente quer a entrada quer a saída dos outros europeus, quer as formas de restrição interna de acordo com a evolução da epidemia", apontou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa indicou que “todos os Estados, de alguma maneira, já se queixaram alguma vez daquilo que se passou noutros Estados”, ao recordar que Portugal também já se queixou da Alemanha, “a certa altura, quando um membro do Governo alemão veio falar unilateralmente do que se ia passar em relação a portugueses, aparentemente sem o conhecimento do Governo português", explicou.

O chefe de Estado sustentou que ter uma melhor coordenação de regras na UE da que já existe “era difícil”. Contudo, Marcelo admitiu que, no início das conversações entre os países, pensou que "fosse possível haver decisões comuns sobre entradas, saídas em todos os Estados da União Europeia. Mas isso era supor que a epidemia tinha o mesmo processo em todos ao mesmo tempo”, apontou, ao indicar que em 2020 e 2021 aprendeu-se que “isso não acontecia, porque nuns casos a epidemia vinha de Leste para Ocidente, noutros casos de Ocidente para Leste".

"Portanto, uma coisa é a teoria, outra coisa é a prática", rematou o Presidente da República.

No final da sua intervenção, Marcelo quis deixar outro elogio a Angela Merkel, sublinhando que "na política quando se chega ao fim de uma carreira não há gratidão, há depois uns tempos mais tarde".

"E a gratidão fica expressa, que nós não esquecemos o que ela fez pela Europa, quando pensamos no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e pensamos nos fundos europeus, ela foi essencial para que isso acontecesse. E é importante que o digamos quando está tão perto do fim da sua longa carreira política", realçou.

{relacionados}