Sociedade

Lisboa recua no desconfinamento e Porto entra em alerta

Região de Lisboa passou ontem o patamar dos 240 casos por 100 mil habitantes. Capital mantém maior incidência, já acima dos 400 casos por 100 mil habitantes.


Com perto de 1500 novos casos de covid-19 reportados em 24 horas no país, quase mil em Lisboa, a região de Lisboa e Vale do Tejo passou ontem a barreira definida como linha crítica em matéria de incidência quando se avançou no desconfinamento: 240 casos por 100 mil habitantes. Os cálculos feitos pelo i com base nos dados disponibilizados pela DGS mostram que Lisboa está com 242 casos por 100 mil habitantes, saindo da matriz de risco que tem sido usada para ilustrar a situação do país. Com este cenário em cima da mesa, mais a indicação avançada esta semana na RTP por João Paulo Gomes, do Instituto Ricardo Jorge, de que a variante delta (50%-60% mais transmissível e associada no Reino Unido ao dobro de risco de hospitalização entre não vacinados), representa já mais de 70% dos casos em Lisboa e Vale do Tejo e “significativamente mais” no concelho de Lisboa – confirmação que na semana passada o Executivo ainda não tinha depois de não terem sido sequenciadas amostras durante a segunda quinzena de maio – o Governo reúne-se mais uma vez esta quinta-feira em conselho de ministros com o país a ser o primeiro da UE a ser dominado pela variante delta e sinais de que a subida mais acelerada de infeções está a alastrar ao resto do país.

Todas as regiões têm estado a registar um aumento de casos, em particular o Algarve, que se aproxima agora dos 200 casos por 100 mil habitantes. O reflexo nos internamentos tem sido lento e incide sobretudo na região de Lisboa, onde se concentram a maioria das hospitalizações. Na terça-feira houve alguma estabilização dos doentes internados em Lisboa, mas um dia ainda não permite tirar conclusões.

Dos concelhos que na semana passada estavam risco de recuar no desconfinamento, entre os que já estão com horários de fecho às 22h30 e os que ficaram em alerta pela primeira vez na semana passada, a situação mais complexa continua a ser na capital. Carlos Antunes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que faz a monitorização da pandemia, revelou ontem que o concelho de Lisboa já atingiu os 402 casos por 100 mil habitantes e deverá chegar aos 480 esta semana, cálculos feitos a partir dos dados facultados pela DGS à equipa da FCUL.

Neste cenário, com duas semanas acima do patamar dos 240 casos por 100 mil habitantes e em função das atuais regras em vigor, Lisboa recua para horários de fecho às 15h30 ao fim de semana, mas o Governo avalia hoje a necessidade de mais medidas e de um passo maior atrás. Na semana passada, na AML, Sintra e Cascais recuaram para horários de fecho às 22h30 e quase todos os concelhos da AML ficaram em alerta, devendo recuar agora também no desconfinamento para horários de fecho às 22h30.

O conselho de ministros pode decidir mais restrições, e o cenário foi deixado em aberto pela ministra da Saúde ao longo da semana passada, mas na semana passada nenhum dos concelhos da AML à exceção de Lisboa estava acima dos 240 casos por 100 mil habitantes, como alguns já estão agora, o que implicaria mudar as regras para impor já restrições ao fim de semana ou durante a semana à noite, como defenderam alguns especialistas nos últimos dias. Já a limitação de circulação de e para fora da área metropolitana de Lisboa ao fim de semana, anunciada na semana passada sem um horizonte temporal para se manter, deverá continuar também este fim de semana. “Os números neste momento levam a sugerir que a situação de Lisboa ainda não esteja ultrapassada”, o que leva a que “as medidas específicas tenham de se manter, como se mantiveram em outros pontos do país quando estavam em situação de risco especial”, disse ontem Marta Temido.

A Norte, onde o crescimento de novos casos tem sido mais contido, pelo menos o Porto deverá entrar em alerta, tendo passado os 120 casos por 100 mil habitantes nos últimos dias, revelou também Carlos Antunes. Uma subida expressiva, já que na avaliação da semana passada estava com 76 casos por 10 mil habitantes.

Com o país agora a registar uma incidência cumulativa de 138 casos por 100 mil habitantes, é previsível que mais concelhos fiquem sinalizados. Parece haver alguma desaceleração no aumento de casos em Lisboa, mas a tendência mantém-se de subida.

A maior subida verifica-se no Algarve, onde apenas Albufeira tinha recuado para horários de fecho às 22h30. Lagos tinha ficado em alerta e é um dos concelhos onde pode os restaurantes poderão voltar também a fechar às 22h30.

Regresso de público aos estádios adiado No último conselho de ministros, a indicação dada pela ministra de Estado e da Presidência foi que, no atual contexto, o país “dificilmente” avançaria para a próxima etapa de desconfinamento, prevista para 28 de junho. A próxima etapa previa o regresso do público aos estádios, o que deve ficar sem efeito.