Sociedade

Consumo de tabaco diminuiu, agora também entre as mulheres

Portugal cumpriu a meta da redução de fumadores e do consumo entre mulheres, que vinha a aumentar desde 1987.


O consumo de tabaco em Portugal Continental diminuiu nos últimos cinco anos. Esta é a conclusão principal do Relatório do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o último Inquérito Nacional de Saúde, em 2019, 16,8% da população residente em Portugal Continental com 15 ou mais anos era fumadora, 14% dos quais fumadora diária.

Naquilo que diz respeito às mulheres, “que desde 1987 vinham a registar uma tendência crescente dos consumos, também houve uma redução da prevalência do consumo, que passou de 13,2% para 10,9%”, constata-se, sendo realçado que estas prevalências têm em conta o tabaco aquecido.

Ao cumprir a meta de redução de fumadores e de consumo de tabaco entre as mulheres, o país atingiu dois objetivos do Programa Nacional para a Prevenção do Controlo do Tabagismo (PNPCT), da DGS, que foram cumpridos no ano passado.

Apesar desta redução se ter verificado em todas as regiões do país, “mantêm-se assimetrias regionais”. A título de exemplo, no Algarve, a redução ultrapassou o dobro daquela que foi registada no Alentejo.

A seu lado, a Região Autónoma dos Açores continua a ser aquela que apresenta as prevalências de consumo mais elevadas – 23,4% de fumadores –, seguida da Região do Alentejo – 19,1%.

Jovens preferem cachimbo de água e tabaco aquecido Em 2019, nos jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos, os cigarros foram o tipo de produto mais referidopor quem já experimentou fumar – 29,3% – sendo estes seguidos dos cigarros eletrónicos – 22,2% –, do cachimbo de água (shisha) – 15% – e do tabaco aquecido – 4,9%.

No que concerne ao consumo relativo aos 30 dias anteriores ao inquérito, percecionou-se que 13,4% consumiram cigarros, 4,7%, cigarros eletrónicos e 3,7% tabaco para shisha.

Aumenta consumo de cigarros eletrónicos “Se forem apenas considerados os cigarros eletrónicos, registou-se inclusivamente um acréscimo relativo do consumo nos últimos 12 meses, entre 2015 e 2019, de 7,2% em ambos os sexos”, referiu a DGS, adiantando que, segundo as últimas estimativas elaboradas pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), em 2019 morreram em Portugal mais de 13 500 pessoas por doenças atribuíveis ao tabaco.

No seguimento do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado no passado dia 31 de maio, “renova-se a urgência de sensibilizar para os benefícios de deixar de fumar em qualquer idade”, frisa a DGS, mencionando que, apesar de a pandemia “ter tido um impacto significativo traduzido pela redução do número de locais e de consultas para a cessação tabágica, deixar de fumar com apoio comportamental e tratamento farmacológico aumenta de modo significativo o sucesso das tentativas”.

Por este motivo, nos próximos dois anos, implementará campanhas massivas de comunicação, proibições abrangentes à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco ou ainda o apoio à cessação tabágica. A proteção da exposição ao fumo ambiental do tabaco, “que ficou aquém do objetivo para 2020, mantém-se como um dos eixos estratégicos”.

Aumento de cigarros falsificados leva a subida de consumo ilícito O aumento de cigarros falsificados fez crescer o consumo ilícito para quase o dobro em 2020, mas tal fenómeno não se verificou em território nacional.

Esta é uma das conclusões do relatório independente “Illicit cigarette consumption in the EU, UK, Norway and Switzerland” realizado pela KPMG para a PMI, da qual a Tabaqueira é uma das subsidiárias.

De acordo com o comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, o documento suprarreferido “revela como o consumo legal e ilícito de cigarros foi afetado pela pandemia da COVID-19, num período de confinamentos e circulação restrita de pessoas dentro da UE, juntamente com declínios na acessibilidade dos preços”.

Assim, estima-se que o consumo total de cigarros desceu 4,7% em 2020 representando 438,8 mil milhões na UE27, enquanto os controlos fronteiriços e as restrições de viagens relacionadas com o novo coronavírus resultaram num decréscimo acentuado do consumo não doméstico, que diminuiu 18,5% em 2020 (11,9 mil milhões de cigarros).

Por outro lado, é de realçar “que o declínio no consumo total de cigarros também coincidiu com o crescimento de 6,0 mil milhões de unidades equivalentes de cigarros na categoria do tabaco de corte fino em 2020”.

À sua vez, o consumo das “marcas brancas” ilícitas e outros cigarros de contrabando diminuiu de ano para ano, contudo, estas reduções “foram mais do que compensadas por um aumento da contrafação, que quase duplicou em 2020, o que representou 10,3 mil milhões de cigarros falsos, por comparação aos 5,5 mil milhões em 2019”.

Portugal continua a ser um dos países com menor incidência de práticas ilegais no comércio de tabaco. No ano passado, “reduziu a incidência de práticas ilegais no comércio de tabaco em 1,2% pp, face a 2019, situando-se nos 4,4% (versus 5,6% em 2019)”.

Esta tendência corresponde a uma perda de receitas fiscais, para o Estado português, que ronda os 70 milhões de euros (menos 27 milhões do que em 2019).