Opiniao

Uma história enevoada do Portugal Romano

Parte 1. Invasão e resistência


por Roberto Knight Cavaleiro

A derrota das Cartaginesas pelo exército Romano no ano 202AC foi rapidamente seguida pela eliminação das colonias e das feitorias que eles criaram nas costas este e sul da Península Ibérica. A falange de legiões que avançavam, de este para oeste encontraram muito pouca resistência e conquistaram uma vasta área de território que se estendia para o interior nuns 50 a 100 Km. Naquela altura o Algarve e o Baixo Alentejo estavam habitados pelas tribos dos Conii (Cynetes) e também fornecia quarteis de inverno para os remanescentes do exército Cartaginense em Portus Hannibalis (perto de Portimão).  A resistência militar era negligenciável e o exercito dispersado enquanto os Conii, que não apreciaram os anos de feudo Cartaginense,  deram as boas vindas á chegada dos Romanos. Nos anos seguintes eles assimilaram o estilo de vida Romano e com os seus vizinhos, os Turduli, forneceram milícias e auxiliares aos novos invasores.

Quando os Romanos viraram a sua atenção para norte encontraram uma resistência tribal muitos mais forte  dos Lusitani que era o nome colectivo para uma federação de migrantes Celtas do V e III seculo que se miscigenaram com as tribos autóctones das planícies centras que se estendiam do Douro ao Tejo. Provaram serem guerreiros destemidos (descritos por alguns como bandidos) que se aliaram com os Celtici, Vettones e Celtilberi para formarem grupos de ataque que saquearam as tribos do Sul e derrotaram os militares Romanos numa serie de emboscadas. A sua campanha era tão seria  que Roma foi forcada a enviar os seus melhores Generais e reforços de cavalaria italiana e infantaria para enfrentar as incursões mas estas continuaram a acorrer anualmente de 194 a 155 AC e com grande perdas para ambos os lados. No ano de 154, o Pretor Manius Manilius derrotou os Lusitani mas foi atraído para uma emboscada que o levou a perder 9,000 homens. No ano seguinte os Lusitani atacaram os Conii e depois atravessaram os Estreitos de Gibraltar para cercarem a cidade de Ocilis mas foram perseguidos por Manillius que matou 15,000 dos seus guerreiros.

Mas os Lusitani e os seus aliados prosseguiram com a sua resistência e no ano 150 o Praetor Servius Sulpicious Galba foi nomeado para acabar com a debacle e ( com o apoio de Lucius Lucullus) derrotou os aliados divididos, saqueou as suas terras e assassinou vastos números de cidadão desarmados. Quatro anos mais tarde, quando uma população desmoralizada estava preste a render-se, aparece em cena uma personagem desconhecida mas dinâmica chamada Viriatus.  Ele foi descrito por Levy como sendo um pastor Celta ascético da Região Herminius Mons (Serra da Estrela) que se tornou guerreiro e  lutou pela honra e gloria do seu povo e não pelos despojos de guerra. Siculus diz-nos que ele era um soldado valente de uma estatura impressionante e com uma mente astuta e prudente muito adorada pelos seus seguidores.

Viriatus tinha escapado previamente ao massacre de 150 e agora tinha delineado um plano onde a maior parte das forças Lusitanas eram capazes de escapar durante a noite e reagruparem-se. Ele então aplicou tácticas de guerrilha enviando grupos de ataque para o interior do território Romano. Numa destas incursões ocuparam a fortaleza Celta de Ronda e resultou na morte de 4,000 legionários enviados na sua perseguição. Esta acção marcou o inicio de uma serie de expedições audazes que perturbaram os Romanos ao ponto de o Senado enviar uma delegação para negociar os termos de uma trégua que reconheceria a administração de Viriatus a quem seria entrgue o titulo de “amicus populi Romani” – um aliado do povo Romano. Mas o acordo era frágil e permitiu aos Romanos enveredar numa campanha de subterfugio que pretendia persuadir a deserção e divisão dos aliados e resultou na retirada das forças Lusitanas para o centro de Portugal, a sua terra.  A traição culminou no ano de 139 quando três dos seus mais fies tenentes foram subornados para o assassinar cortando a sua garganta enquanto ele dormia.

Sem a liderança de Viriatus, todo o aspecto da resistência mudou e em 137 o seu sucessor, Tautulos, foi obrigado a aceitar os novos termos do Proconsul Decimus Junius Brutus.  Estes termos forçavam a rendição e deslocação do povo Lusitano e assim Roma ganhou controlo militar total de todo o território de Algarve ao Rio Douro. No Ano seguinte Brutus liderou uma força expedicionária através dos rios Lima e Minho para dominar os Galicians nas sua fortalezas montanhosas e assim conquistar todo o território conhecido hoje como Portugal.

Viriatus

Guerreiros Lusitanos