Economia

Turismo. Portugal perde temporariamente mais um mercado importante

Depois de perder o mercado britânico, Portugal vê-se agora sem o alemão. Outros países podem seguir o exemplo e a esperança de um verão melhor fica agora mais distante.


Depois de o Reino Unido ter retirado Portugal do corredor verde, a Alemanha toma a mesma decisão, o que é mais um golpe para o turismo português uma vez que também o mercado alemão é importante para um setor que está a tentar recuperar aos poucos. 

O ‘cartão vermelho’ dado a Portugal tem início esta segunda-feira e vigora por um período de duas semanas mas pode aumentar. Significa então que todos os viajantes provenientes do território português são obrigados a uma quarentena de 14 dias quando regressarem ao seu país.

A justificação é simples: “Portugal é classificado como uma área de variantes [do SARS-CoV-2] de preocupação inicialmente durante duas semanas”, diz a decisão do Instituto Robert Koch, a agência federal de saúde da Alemanha, avisando, desde logo, que “uma extensão” deste período “é possível”.

A decisão é preocupante para o turismo português mas, na verdade, não chega com surpresa uma vez que a chanceler alemã já tinha criticado as decisões de Portugal sobre a covid-19. “Temos uma situação em Portugal que podia ter sido evitada, e é por isso que temos de trabalhar ainda mais arduamente”, disse Angela Merkel, referindo-se ao facto de Portugal ter aberto as portas aos turistas britânicos para a final da Liga dos Campeões.

E quem não viu a decisão com muito bons olhos foi o Governo português com o ministro dos Negócios Estrangeiros a dizer que o lamenta por dois aspetos: “O primeiro é ter colocado o país inteiro. Há regiões que, do ponto de vista da covid-19, estão hoje numa situação preocupante, mas outras não”, disse Augusto Santos Silva à Lusa. O outro 
motivo está relacionado com o certificado digital de covid-19 vai tornar-se lei, a nível da UE, a partir do dia 1 de julho. “A lógica do certificado covid-19 é a de podermos tomar medidas restritivas para controlar a pandemia e deixarmos circular as pessoas que estiverem vacinadas ou imunizadas”, atirou.

A posição alemã está já a fazer estragos e são muitos os que tinham viagens marcadas da Alemanha para Portugal que estão a cancelá-las.

Madeira vai pedir exceção Para o secretário regional de Turismo e Cultura da Madeira não há dúvidas: a decisão “é um entendimento incorreto” do Governo alemão. À Lusa, Eduardo Jesus diz não existir qualquer “razão para considerar a Madeira no todo nacional e numa zona de risco de uma variante que a Madeira não tem”.

O governante acrescentou ainda que “a Madeira não quer um tratamento de exceção, quer uma discriminação positiva porque tem condições” para isso, e “neste momento pode reclamá-la”. O que vai fazer, tal como já tinha feito com o Reino Unido. Recorde-se que, depois de ter colocado Portugal na lista vermelha, o Governo britânico fez uma “discriminação positiva” em relação à Madeira e a reação do mercado britânico foi “foi imediata e energética”.

Outros que podem seguir o exemplo E depois da Alemanha e Reino Unidos, outros países poderão seguir o exemplo. “Sabemos que a Áustria e a Suíça têm, normalmente, uma colagem grande às medidas da Alemanha, e que, a seguir à posição do Reino Unido, esta posição da Alemanha vai ter impacto noutros mercados”, disse à TSF o presidente da Associação de Turismo do Algarve, João Fernandes.

O responsável acrescentou ainda que esta decisão é “obviamente um revés grande” e um “balde de água fria”. É que, recorde-se, depois do mercado britânico, o alemão é dos que tem mais expressão no Algarve e no país.

APAVT pede novas medidas de apoio E se é para tirar Portugal do corredor verde, que seja com novos apoios. Pelo menos é essa a posição da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) que diz que “a recente decisão do Governo alemão relativamente às viagens dos seus cidadãos para Portugal, depois da saída do país da lista verde do Reino Unido, a par da incerteza causada pelo recuo no desconfinamento e o respetivo impacto nas férias dos portugueses, constitui um golpe fatal nas expectativas de início de retoma para o turismo no seu todo”. Nesse sentido, não há dúvidas: existe a “a necessidade urgente de novos apoios que evitem a falência de todo um setor”.

A associação aproveitou ainda a nota para fazer um ponto de situação do país. “Portugal está, na prática, atualmente impossibilitado de acolher turistas de vários mercados, incluindo os dois maiores em termos de dormidas, e o primeiro e terceiro maiores em termos de receita turística, o Reino Unido e a Alemanha, o que vem criar um vasto deserto 
no panorama da oferta nacional e afasta qualquer possibilidade de retoma para as agências de viagens especializadas no turismo recetivo”.

Cenário que é, defende, “igualmente desolador” para os  operadores turísticos e agências que se dedicam ao turismo de lazer.