Economia

Altice Portugal avança com queixa contra Frente Sindical

No dia 22 de junho, a operadora confirmou o início de um processo de despedimento coletivo no âmbito do processo de restruturação da empresa em curso.


A Altice Portugal vai avançar com queixa por ofensa a pessoa coletiva, junto do DIAP de Lisboa, contra a Frente Sindical, "após a divulgação de um comunicado ferido de ofensas graves ao bom nome da empresa, no passado dia 28 de junho", apurou o i.

Em causa está o facto de a estrutura sindical ter acusado a operadora de uma "desumanidade nunca vista", acrescentando que "desde que a Altice comprou a PT, muitos atentados contra os direitos dos trabalhadores têm sido praticados, são cerca de seis anos de terror laboral, mas nunca se imaginou que a COMEX chegasse a este “crime humano”.

A Frente Sindical acusa ainda a operadora de "para encher os cofres do acionista não pode valer tudo e muito menos contra os trabalhadores que geram a riqueza que corre para os 'bolsos daqueles que só se preocupam em sacar o que podem de todas as formas, até as inimagináveis, como este “crime humano'. Sabia-se que desde que a PT foi comprada pela Altice, o objetivo principal e talvez único desta, foi sempre o lucro e mais lucro por todos os meios e um dos mecanismos utilizados ao longo dos anos, tem sido a redução sistemática de efetivos, pelas várias formas, mas que chegassem a este 'crime humano' da tentativa de despedimento coletivo, era impensável".

Recorde-se que, no dia 22 de junho, a operadora confirmou o início de um processo de despedimento coletivo no âmbito do processo de restruturação da empresa em curso, "devido ao contexto muito adverso que se vive no setor das comunicações eletrónicas: o ambiente regulatório hostil, a falta de visão estratégica do país, o contínuo, lamentável e profundo atraso do 5G, bem como a má gestão deste dossiê".

A Altice Portugal atribuiu ainda a inevitabilidade do recurso ao despedimento coletivo a "múltiplas decisões unilaterais graves da Anacom e de outras autoridades, sempre com a cobertura da tutela, e que ao longo dos últimos 4 anos destruíram significativamente valor", acrescentando que "este contexto reforça e precipita a necessidade de se tomar decisões sempre difíceis, mas que se impõem num mercado desde logo exigente, mas cujo futuro é, no atual momento, cada vez mais incerto", reforçou o comunicado.

O i apurou que este despedimento coletivo pode abranger até cerca de 250 trabalhadores, mas os responsáveis da empresa acreditam que mais de metade destes trabalhadores poderão aderir a um mecanismo de rescisão por mútuo acordo, com condições financeiras mais favoráveis para os abrangidos, por forma a reduzir o universo do despedimento a cerca de uma centena de funcionários.