Sociedade

Acelerar a vacinação e travar os contágios é uma "corrida contra o tempo", frisa coordenador da task-force

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo quer aumentar o ritmo de vacinação para travar a disseminação de variantes, nomeadamente a Delta, e assim também atingir a sua meta de 70% pessoas completamente vacinadas até setembro. 


O responsável pela task-force da vacinação contra a covid-19 disse, este domingo, que Portugal está numa “corrida contra o tempo” para acelerar o número de vacinados e ao mesmo tempo travar os novos contágios.

"Por isso, estamos a aumentar o ritmo de vacinação, comprometendo de alguma forma alguma qualidade no processo, porque é uma corrida contra o tempo. Por um lado, a vacinação por outro lado, os contágios que se estão a espalhar", assinalou o vice-almirante Gouveia e Melo numa entrevista à SIC.

O coordenador da vacinação revelou que Portugal deverá atingir “os 85% das primeiras inoculações na segunda ou terceira semana de setembro”, logo depois de a task-force conseguir atingir o seu atual objetivo de ter 70% da população com a vacinação completa.

"Penso que aí estaremos fortemente protegidos contra esta nova variante Delta", sublinhou, ao realçar que "a vacinação tem efeito sobre os contágios" e que por isso se deve acelerar, uma vez que a estirpe Delta é a razão pelo atual aumento de casos.

Portanto, nesta fase, o vice-almirante indicou que é necessário "trocar um bocado" a qualidade do processo pelo aumento do ritmo de vacinação: "O que é mais importante é atingir o máximo do ritmo de vacinação a ver se ganhámos esta batalha e estas duas semanas são mesmo decisivas".

Com o aumento do ritmo da vacinação, existem riscos que poderão atrapalhar esta campanha, nomeadamente nos sistemas de agendamento.

"O primeiro risco é que os sistemas de agendamento, seja o agendamento online centralizado seja o agendamento local e a 'casa aberta', vão ser postos ao rubro", apontou Henrique Gouveia e Melo.

As filas também irão aumentar, mas o responsável pela task-force acredita que estas não devem ultrapassar uma hora e não serão generalizadas.

Na mesma entrevista, o coordenador da task-force lamentou o facto de as vacinas não terem chegado ao ritmo que desejaria no primeiro semestre, porém agora, o cenário é outro. "Todas as vacinas que chegam devem ser administradas e rapidamente", garantiu, de forma a antecipar a vacinação.

"Reforçámos os agendamentos ao máximo e estamos simultaneamente a reforçar as nossas capacidades para vacinar, e os horários também estão a ser alargado ao máximo", referiu, ao assinalar que esta semana foram vacinadas mais de 100 mil pessoas por dia.

Dois dias dos quais a campanha de vacinação contra a covid-19 vacinou mais 120 mil pessoas, porém são diferente ter este ritmo todos os dias. Para tal, Gouveia e Melo frisou que "vai ser um esforço muito grande para todos, incluindo, para a população, que, eventualmente, terá um processo com menos qualidade, mas o ritmo e a pandemia assim o exigem".