Economia

EasyJet diz que nova taxa de carbono é "ineficaz e inadequada"

Companhia aérea garante apoiar "proativamente medidas para reduzir o impacto da aviação no ambiente", mas argumenta que este imposto “não se revela eficaz".


A easyJet reclamou esta terça-feira a suspensão da taxa de carbono, introduzida a semana passada, a 1 de julho, e que cobra dois euros aos passageiros de voos internacionais, considerando que se trata de um imposto "ineficaz e inadequado" porque não está vinculado às emissões de dióxido de carbono.

Em comunicado, a companhia aérea garante apoiar "proativamente medidas para reduzir o impacto da aviação no ambiente", mas argumenta que este imposto “não se revela eficaz porque, como é uma taxa fixa, não pode refletir a pegada de carbono das diferentes companhias aéreas e viagens, portanto, não pode ser considerada ecológica”.

Defendendo a necessidade de “um ano para desenvolvimento e testes antes do início da implementação” desta taxa, alerta que esta medida seja apenas um “novo imposto cobrado sobre os passageiros que levará a um aumento nas passagens aéreas para os clientes”.

“O imposto deve ser avaliado antes da sua implementação, pois não é clara a forma de como o governo pretende usar as receitas do mesmo para combater as mudanças climáticas. Não há evidências de que este imposto irá beneficiar o setor ou de que as suas receitas irão ser reinvestidas em I&D para apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias”, sustenta a companhia.

Segundo José Lopes, diretor-geral da companhia para Portugal, citado em comunicado, a nova taxa de carbono "não contribui para melhorar a sustentabilidade da indústria e impede a recuperação da economia nacional que está dependente do turismo", além de que “não é a abordagem correta, pois não incentiva as companhias aéreas a tornarem-se mais sustentáveis".

Neste sentido, a easyJet exige “clareza sobre como esta medida vai apoiar o setor da aviação a ser mais sustentável”, procurando saber se as receitas serão investidas em investigação para “novas tecnologias disruptivas de emissão zero” e quais “os recursos que vão para o Fundo Ambiental para serem usados exclusivamente em projetos ambientais” relacionados com “tecnologias como hidrogénio ou eletricidade ou em projetos de compensação de carbono Gold Standard”.

Garantindo que "continua a trabalhar arduamente para ter um forte impacto positivo em Portugal na indústria do turismo, como é evidenciado pelo recente investimento efetuado com a abertura da sua nova base em Faro", a easyJet lembra ainda que "tem liderado consistentemente o setor na promoção de ações sobre mudanças climáticas, incluindo o fato de ser a primeira grande companhia aérea a compensar todas as emissões de carbono nos seus voos".

A companhia realça também estar "a trabalhar com os parceiros Airbus e Wright Electric para acelerar o desenvolvimento de tecnologias de emissão zero" e afirma-se confiante de que, “em meados da década de 30, começará a ver os seus clientes a voarem em aviões elétricos, a hidrogénio ou híbridos”.