Editorial Luz

Ingredientes: além da sorte q.b.

A equipa das Quinas não conseguiu levar-nos mais uma vez a um sítio mágico, como aconteceu em 2016. Depois daquela vitória, acreditámos de forma sincera que éramos capazes de tudo. E que a sorte estaria reduzida à abreviatura ‘q.b.’ se por acaso fosse feita uma lista dos ingredientes necessários à revalidação do título.


A nossa melhor seleção de sempre despediu-se do Europeu ainda antes de darmos as boas-vindas ao mês de julho e, por mais que a pandemia tenha deixado o Mundial ali ao virar da esquina, nada serve de consolo após a tapa servida em Sevilha por chefes belgas. 

A magia da cidade que tiene un color especial, dizem as legendas que acompanham as imagens de quem por lá passa, ficou, para nós, por agora, reduzida àquela Isla Mágica repleta de montanhas-russas e carrosséis. Pelo menos essa ilha, aconteça o que acontecer, não perde a sua característica tão própria, nem que seja por estar carimbada de forma intrínseca no nome. 

Mas a equipa das Quinas não conseguiu levar-nos mais uma vez a um sítio mágico, como aconteceu em 2016. Depois daquela vitória, acreditámos de forma sincera que éramos capazes de tudo. E que a sorte estaria reduzida à abreviatura ‘q.b.’ se por acaso fosse feita uma lista dos ingredientes necessários à revalidação do título. Não foi sequer quanto baste, lá isso ficou confirmado, mas faltou também o equivalente à farinha e ao açúcar caso o objetivo fosse um cremoso pão de ló.

Resta-nos seguir em frente, que não vale a pena chorar sobre leite derramado, a menos que se saiba de antemão que não haverá outro pacote na despensa.

No fim do dia, Sevilha não vai perder a cor especial, nem a seleção o brilho. E se nos mandam catar, ou para o Qatar, nós vamos – e vamos mais uma vez com a mesma confiança e, principalmente, com a mesma fé. 

Talvez com a memória como melhor medidor da euforia, mas sempre com a certeza de que somos capazes de sair de pé apesar dos enjoos, náuseas ou sustos que possam vir de um dia passado num qualquer parque aventura. 

Até porque, se são raras as vezes em que alguém fica aceitável nas fotografias apanhadas pelas câmaras estrategicamente implementadas nas várias diversões, o preço que por estas se pagam só é justificado pelas memórias que alguém quis eternizar.

E que as próximas sejam novamente dignas de emoldurar.