Sociedade

Covid-19. Projeções apontam para subida de infeções ao longo de todo o mês

Linhas vermelhas já foram ultrapassadas, mas ministra da Saúde admitiu que no pior cenário casos poderão duplicar em duas semanas. Projeções do ECDC estão na mesma linha. Mortalidade sobe menos do que no inverno mas pode ainda aumentar.


As projeções apresentadas pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças aos estados membros apontam para um aumento das infeções ao longo de todo o mês de julho.

Para Portugal, foram mais uma vez revistas em alta esta terça-feira. Num cenário central, que resulta de um modelo que combina projeções de diferentes equipas, o ECDC prevê que o país chegue ao final de julho com 32 500 novos casos de covid-19 por semana, uma média de 4600 novos casos diários, não antevendo que a situação se inverta significativamente ao longo do mês.

São projeções em linha com as que são feitas a nível nacional pelos especialistas que dão apoio técnico ao Governo e com os indicadores epidemiológicos atuais, que continuam a apontar para um RT acima de 1 e uma tendência de aumento de infeções em todas as regiões do país. Em entrevista à TVI, a ministra da Saúde apontou como pior cenário de 4 mil casos diários dentro de duas semanas, que poderão resultar em 800 doentes internados, dos quais 150 em unidades de cuidados intensivos.

A plataforma do ECDC, que não projeta necessidades de internamento, admite que o crescimento da epidemia possa ser mais acentuado, com as projeções com um intervalo de incerteza em que, no limite superior, se poderia atingir os 150 mil novos casos no final de julho.

No melhor cenário, a epidemia estabiliza no atual patamar, não se antecipando uma descida significativa nos contágios nas próximas quatro semanas nem um verão de acalmia como o do ano passado, em que o vírus circulava menos na comunidade e com variantes menos transmissíveis.

O organismo europeu, responsável pelo aconselhamento em termos de saúde pública, aponta agora também para uma subida de casos em vários países, desde logo Espanha, com o Reino Unido a liderar o aumento de casos, podendo passar os mil casos por 100 mil habitantes a 14 dias no final do mês.

Algo que o Governo de Boris Johnson já assumiu como inevitável ao anunciar o levantamento de todas as restrições a partir de 19 de julho. Portugal surge em segundo lugar em termos de projeção de incidência ajustada à população, prevendo-se que passe os 500 casos por 100 mil habitantes no fim do mês.

Atualmente, o país já ultrapassou a linha crítica dos 240 casos por 100 mil habitantes, estando oficialmente fora da matriz que estava a ser seguida pelo Governo. Ontem o boletim da DGS apontava ainda para uma incidência a nível nacional de 224,6 casos por 100 mil habitantes, mas com os diagnósticos notificados nos últimos dias a incidência subiu já para os 250 casos por 100 mil habitantes.

Maior incidência ainda pode levar a mais mortes Apesar da evolução das campanhas de vacinação, o ECDC continua a apontar para um aumento do número de óbitos ao longo do mês de julho, o que se verifica desde o início de junho. Apesar de os últimos meses terem sido os que registaram menos vítimas mortais desde o início da epidemia, em junho morreram 76 pessoas com covid-19 no país, quando em maio se tinham registado 49 mortes.

O organismo europeu projeta que em Portugal se possa evoluir até ao final do mês para 72 óbitos semanais, projeções com um grande intervalo de incerteza, entre 16 óbitos e 367 óbitos.

Ao longo do mês de julho, no cenário central, a projeção aponta para mais de 150 óbitos, podendo superar-se a mortalidade verificada no ano passado nos meses de verão. 

Marta Temido não afastou a necessidade de medidas mais restritivas, apelando às medidas individuais e salientando que um cenário de confinamento não é possível sem um estado de emergência, o que o Presidente da República já afastou.

“Se não tomarmos todos as medidas necessárias as individuais mas também do sistema – vacinação e testagem –, corremos o risco de não conseguir parar a evolução da transmissão da doença”, afirmou Marta Temido, admitindo a necessidade de transferir doentes e não afastando mais uma vez a necessidade de alterar planos de férias dos profissionais de saúde. Não apontou no entanto o cenário a longo prazo, não se verificando uma descida de infeções.

A Universidade de Washington também atualizou recentemente as projeções a nível global e aponta para um aumento contínuo das infeções ao longo do verão, com maior pressão sobre os hospitais e aumento de óbitos, ainda que menor do que nos primeiros meses do ano.

O Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde prevê que até ao final de setembro o número de vítimas associadas à covid-19 suba a nível global para 4,5 milhões de óbitos. Para Portugal, onde desde março do ano passado se registaram 17 118 mortes, mais de 10 mil já este ano, as estimativas apontam para que o país chegue nos próximos três meses aos 18 mil óbitos associados à pandemia.