Sociedade

Marta Temido não descarta regresso ao Estado de Emergência. "Não há impossibilidades totais"

Governante defende a vacinação como principal arma no combate à propagação da variante Delta da covid-19.


A ministra da Saúde está, esta quarta-feira, numa audição regimental na Comissão de Saúde da Assembleia da República, onde sublinhou a prioridade na vacinação no combate à propagação da variante Delta da covid-19, tendo admitido um eventual regresso ao Estado de Emergência, mas não para já.

“Sabemos que têm sido utilizadas as soluções que em cada momento são as mais eficientes”, afirmou Marta Temido. “Somos neste momento um dos países da União Europeia [UE] que mais vacinas tem administradas, queremos fazer esta corrida contra a variante Delta através da vacinação e não através de outras medidas que o senhor deputado [Ricardo Batista Leite, do PSD] já referiu e sobre as quais não gostaríamos, de facto, de as ter de suscitar”, acrescentou.

Sublinhe-se que estas declarações da ministra foram feitas na sequência das questões do deputado social-democrata, citado por Marta Temido, sobre se as medidas que estavam a ser tomadas eram suficientes para enfrentar a evolução da situação epidemiológica, tendo também perguntado se a governante defendia um regresso ao estado de emergência, para assim viabilizar restrições mais apertadas.

“Assistimos hoje a um crescimento do número de casos que esperamos conseguir contrariar, mas que não é acompanhado em termos de internamentos e óbitos. Estamos confiantes. Não é só o Governo que opta pela utilização de um determinado mecanismo de enquadramento, também a AR e o Presidente da República têm uma palavra e saberão, em cada tempo desta evolução, voltar ou não a recorrer a mecanismos que a lei tem especificados. Não há impossibilidades totais, há necessidades de avaliação constante”, respondeu Marta Temido.

A ministra fez ainda questão de sublinhar o facto de, apesar da tendência de crescimento da pandemia a nível nacional nas últimas semanas, Portugal enfrentar hoje condições “distintas” em das do início do ano, destacando o processo de vacinação, “que tem sido bem-sucedido e que tem permitido proteger” a população.

Em relação às críticas feitas à continuação do recurso da matriz de risco para avaliar a situação epidemiológica, Marta Temido defendeu que a análise não se resume exclusivamente à evolução da incidência e do indicador de transmissibilidade (Rt).

“A matriz não tem só dois indicadores. Os relatórios epidemiológicos diários têm lá outros indicadores: óbitos, utilização de capacidade hospitalar e número de doentes internados em UCI e enfermaria”, observou, acrescentando: “Não é correto dizer que só utilizamos dois critérios, utilizamos mais. Temos estes dois critérios como a primeira abordagem”, afirmou.

Já o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, também presente na audição no Parlamento, revelou que há mais de 4.300 profissionais de saúde alocados à vacinação contra a covid-19, mais de 600 dos quais médicos.

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