Opiniao

Insanidade

Os gabinetes governamentais foram infectados por um vírus que, caso não seja rapidamente dominado, poderá atingir proporções bem mais gravosas do que aquele que desde há mais de um ano se tem espalhado um pouco por todo o mundo: trata-se do vírus da insanidade!


A loucura, ao que tudo indica, ter-se-á apoderado daqueles que foram mandatados para dirigir os nossos destinos.

Quando estes, no início do ano, nos obrigaram a permanecer, quase encarcerados, no interior das nossas habitações, nós, povo obediente e submisso, cumprimos com o determinado porque nos acenaram com o argumento de que esse sacrifício seria indispensável para se salvar vidas e para não se ultrapassar a capacidade de resposta dos hospitais.

Hoje, já praticamente não morre ninguém vitimado pelo vírus que lançou o pânico dentro da sociedade e os hospitais já não estão atrofiados com um número desmesurado de doentes.

Em boa verdade, a pandemia pertence ao passado, considerando que uma verdadeira situação pandémica resultaria num elevado número de fatalidades e numa sobrelotação dos serviços hospitalares, em particular dos cuidados intensivos, circunstância que está muito longe de se verificar na actualidade.

Apesar dos costumeiros jornaleiros insistirem no aumento de internamentos por via do Covid, a realidade, conforme o atesta o relato de diversos clínicos colocados na linha da frente no combate ao surto viral, é que progressivamente a pressão sobre os hospitais tem vindo a diminuir, por um lado pela cada vez maior quantidade de camas desocupadas e, por outro, sobretudo, pela menor gravidade dos casos que necessitam de assistência médica mais intensiva.

Ou seja, este vírus, ainda que a nova variante seja mais transmissível, tem perdido força e cada vez mais se confunde com uma simples gripe. Aliás, os sintomas, agora, são praticamente idênticos.

Perante este cenário, somente a loucura poderá justificar a persistência, totalmente doentia, em nos continuarem a privar da nossa plena liberdade e em adoptar-se medidas que conduzirão, inevitavelmente, à destruição do nosso tecido económico.

Ou então, facto ainda mais incrédulo, é a teimosia que está na base desta atitude.

Os nossos políticos jamais reconhecerão que erraram, por despropositado excesso, ao nos condenarem, sem julgamento, a prisão domiciliária, e ao arruinarem largos milhares de postos de trabalho, deixando uma quantidade abismal de famílias sem o ganha-pão que lhes garanta o seu sustento.

Por isso há que manter o discurso da dramatização, diabolizando, de forma crescente, um vírus que tende a banalizar-se.

Marcelo, justiça lhe seja feita, compreendeu, finalmente, a desproporção dos mecanismos que visam controlar a disseminação do vírus, face à sua real perigosidade, pelo que nos brindou com a boa-nova de que com ele não haverá um regresso ao estado de emergência, ou seja, não haverá novos confinamentos, somente admissíveis por decreto presidencial, conforme o estipulam os preceitos constitucionais.

Costa, pondo a nu a sua habitual arrogância e tiques de autoritarismo, e sentindo-se encurralado, de imediato veio a terreiro desautorizar o Chefe de Estado,, razão pela qual levou um valente puxão de orelhas a partir de Belém, com a letal frase de que é o presidente quem nomeia o primeiro-ministro e não o contrário.

Vendo-se de mãos atadas, Costa, numa clara tentativa de imposição de autoridade, recorreu então a um expediente de contornos inconstitucionais, decretando uma cerca sanitário a uma área de residência de mais de três milhões de habitantes, proibindo-os de se ausentarem para fora dessa zona durante quase três dia da semana.

Bem, segundo a moçoila que está ministra não se trata de uma cerca sanitária, porque decorre apenas durante os fins-de-semana.

Deus, há que o reconhecer, quando distribuiu a inteligência não foi justo para com uns quantos!

Costa, não satisfeito, foi ainda mais longe, ordenando o encerramento da restauração, e do comércio em geral, durante o fim-de-semana, medida que abrange os concelhos nos quais residem quase metade dos portugueses, desferindo mais uma machadada nos já praticamente arruinados negócios de milhares de empreendedores, condenados a uma irreversível insolvência.

O vírus, pelos vistos, revela-se quase inofensivo durante os dias úteis da semana, mas assume uma ferocidade atroz a partir do início das tardes de sábado!

E assim se governa um País, impondo-se uma ditadura sanitária a todo um povo, como consequência de um braço de ferro entre os chefes do Estado e do governo, com cada qual a procurar provar de que lado está a força!

Os direitos, liberdade e garantias, tão apregoados pelos falsos democratas, não passam, hoje, de letra morta, e o estado de direito transformou-se numa simples miragem.

A insanidade tornou-se na imagem de marca daqueles que têm a responsabilidade de decidir os nossos destinos.

E o povo, cego e intoxicado pela propaganda incessante que lhe é esfregada na cara, aceita, sem pestanejar, que a sua liberdade individual lhe seja coarctada, quase se prostrando no solo e beijando o chão pisado pelos seus opressores, num acto de humilhante submissão a uma corja que o mantém no limite da pobreza.

Os ingleses, em boa-hora se libertaram do jugo dos burocratas da União Europeia.

A partir da próxima semana, apesar do número de infecções por Covid19 ser semelhante à que se verifica por aqui, todas as liberdades serão restituídas, incluindo o fim da obrigação de uso de máscaras em qualquer local, aberto ou fechado; o fim da restrição do número de pessoas em todos os eventos, sejam desportivos, culturais, sociais ou familiares; a eliminação do distanciamento social; e a abertura, sem restrições de horários, de toda a actividade comercial e laboral.

Ou seja, a Inglaterra regressa, sem medos, ao período anterior à pandemia, assumindo-se que temos de aprender a viver com uma nova doença e não em sermos dela reféns.

O primeiro-ministro britânico revela-se, cada vez mais, uma lufada de ar fresco numa Europa decadente, a cair de podre e entregue a um bando de caquécticos não submetidos ao voto popular e que nos governam a partir dos longínquos gabinetes sitos em Bruxelas e em Estrasburgo.

Nós, por cá, continuamos entregues a políticos medíocres e mal-intencionados, enrolados até ao pescoço em teias de corrupção e que somente olham para o seu umbigo, e obstinados em nos manter oprimidos, servindo-se, para o efeito, de matrizes ultrapassadas pela realidade que caracteriza a epidemia que ainda nos aterroriza, apesar das evidências do seu grau de substancial menor gravidade, e elaboradas, certamente, por garotos que transitaram das escolas partidárias para os gabinetes ministeriais, sem qualquer experiência de vida.

Os ingleses têm a sorte de terem um Boris Johnson, nós temos o azar de termos um Costa.

Cada qual tem o que merece!

 

Pedro Ochôa