No Meio de Nós

Contra factos, não há argumentos!

Nem de propósito, estava eu a dizer que iria escrever esta crónica e um pai de uma menina que frequenta o sétimo ano mostrou-me um exercício que foi dado à sua filha nestas ditas cujas aulas de Cidadania e que eu, com algumas reservas, irei transcrever para este texto. As crianças tinham de escrever a cada afirmação se é verdadeiro ou se é falso.


Um pai viu os seus filhos chumbarem de ano, pela segunda vez consecutiva, por terem ultrapassado o número de faltas permitidas às aulas de Cidadania e Desenvolvimento.

Mais precisamente, as crianças nunca apareceram nas aulas de Cidadania e Desenvolvimento por ordem do seu próprio pai.

Segundo consta, as crianças são bem-sucedidas em todas as disciplinas e até com distinção. Têm, portanto, fortes capacidades intelectuais e são crianças equilibradas, educadas e sociáveis.

Acontece que o pai alega objeção de consciência, argumentando que pertence à família a missão de educar para a cidadania e para a sexualidade.

No ano passado, os alunos chumbaram por faltar àquela disciplina, o pai meteu uma providência, o tribunal mandou que as crianças frequentassem o ano seguinte, lembrando que as crianças têm de frequentar o currículo proposto para a escola.

As crianças frequentaram o ano seguinte – 2020/2021 –, no entanto, voltaram a não ir às aulas de Cidadania e Desenvolvimento.

Porquê?

Que mal têm estas aulas?

O que se passa por lá que faz com que este pai alegue objeção de consciência.

Nem de propósito, estava eu a dizer que iria escrever esta crónica e um pai de uma menina que frequenta o sétimo ano mostrou-me um exercício que foi dado à sua filha nestas ditas cujas aulas de Cidadania e que eu, com algumas reservas, irei transcrever para este texto. As crianças tinham de escrever a cada afirmação se é verdadeiro ou se é falso.

Agora as frases: 1. Se tiver relações sexuais durante a menstruação, a mulher dificilmente engravida; 2. Quanto maior o tamanho do pénis, maior a virilidade do homem; 4. É perigoso manter relações sexuais com a mulher com o período menstrual, porque o sangue menstrual contém toxinas; 7. O impulso sexual da mulher é menor que o do homem; 9. Quando uma mulher faz a laqueação de trompas, perde o interesse sexual; 10. Se um rapaz ejacula perto da vagina de uma rapariga, esta pode engravidar, mesmo não havendo penetração; 13. Se o amor acabar, o casal deve separar-se.

Eram muitas as frases…

É sobre isto, também, que se trata nas aulas de cidadania e desenvolvimento… fala-se das relações sexuais durante a menstruação; o tamanho do pénis versus virilidade do homem; o impulso sexual dos homens e das mulheres; a laqueação das trompas; a ejaculação fora da vagina.

Pessoalmente, a mim, este tipo de frases não me faz impressão nenhuma… vivemos numa sociedade livre onde se mete uma mulher em cuecas num cartaz para se vender um carro ou se despe um homem para se vender um whiskey.

Os miúdos e os graúdos já viram tudo… já nem sequer dá o Vitinho para irmos para a cama e todos vemos as telenovelas das nove da noite onde eles e elas passam a vida na cama uns dos outros.

Agora, uma sociedade que se diz democrática, onde o povo é quem mais ordena, não deixar que o povo decida a forma de educar os seus filhos para a sexualidade é próprio de um regime ditatorial.

Esta disciplina era facultativa. E estava bem. Era uma disciplina estúpida, mas estava dentro dos valores da democracia – o povo podia decidir se queria ou não que os seus filhos assistissem a essas aulas.

Desde há dois anos, passou a ser obrigatória… mas sem um programa definido, ou seja, estes pais que me deram este exercício nunca teriam tido controlo sobre os conteúdos se não tivessem assistido às aulas durante a pandemia.

É isto que este pai não quer para os seus filhos e, se eu fosse pai, também não quereria.