Desporto

Chantagens e polémica nas gravações de Florentino Pérez

10 milhões de euros foi o valor pedido para “fazer desaparecer” as gravações onde Pérez foi apanhado a insultar Cristiano Ronaldo e José Mourinho.


Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, é novamente o tema quente no mundo do futebol, e uma nova página foi escrita na polémica: A rádio Onda Cero - e, mais tarde, o Real Madrid - avançou que o clube merengue foi chantageado pelo jornalista espanhol José Antonio Abellán, em 2011. O jornal El Confidencial revelou, nos últimos dias, um conjunto de gravações onde se ouve o presidente do Real Madrid a falar de figuras como Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Raúl González e Iker Casillas, sem tecer propriamente elogios. Ao longo dos últimos dias continuaram a surgir novas gravações, envolvendo figuras como Pinto da Costa e Jorge Mendes, e o Real Madrid confirmou a notícia da Radio Cero, que garantiu que o clube foi alvo de uma tentativa de chantagem por parte do jornalista espanhol José Antonio Abellán, que ter-se-á encontrado com Eduardo Fernández de Blas, vice-presidente do clube, em 2011, para exigir 10 milhões de euros para “fazer desaparecer” as gravações de Pérez, que acabaram por se tornar públicas após os dirigentes merengues se terem negado a pagar o valor pedido. O jornalista respondeu através de um tweet, negando a acusação, apontando o dedo a Pérez por usar “o site do clube e os sócios em seu proveito pessoal”.

Em resposta a toda a polémica, o dirigente merengue defendeu que as gravações “são frases soltas, retiradas do amplo contexto em que foram produzidas”, como se pode ler em comunicado oficial. Florentino Pérez argumentou que as “frases reproduzidas foram pronunciadas em conversas gravadas clandestinamente pelo Sr. José Antonio Abellán, que há muitos anos tenta vendê-las sem sucesso”. “É agora surpreendente que, apesar do tempo decorrido, o diário El Confidencial as tenha publicado”, continuou o dirigente, antes de garantir que a sua equipa legal está a estudar “as possíveis ações a serem tomadas”.

Cristiano e Mourinho, dois ‘anormais’ A polémica das gravações começou na terça-feira, quando o jornal espanhol El Confidencial tornou públicas gravações de áudio onde é possível ouvir Florentino Pérez a falar sobre antigas figuras do Real Madrid como Casillas e Raúl, classificando ambos de “fraudes”. O treinador português José Mourinho e o internacional Cristiano Ronaldo foram também alvo de críticas, bem como o agente Jorge Mendes. Em causa estão gravações do ano de 2012, onde Pérez insulta o craque português e o treinador, ambos com ligações ao Real Madrid. “Este tipo [Cristiano] é um imbecil, um doente. Vocês pensam que é normal, mas não é, senão não faria as coisas que faz”, referia o dirigente naquela altura, quando o internacional português se preparava para começar a sua quarta temporada ao serviço dos merengues.

Na mesma altura, Jorge Mendes, que geria tanto Ronaldo como Mourinho, não ficou fora da conversa, acusando-o Pérez de “não mandar nada”. “Não manda nada nele [Cristiano Ronaldo], tal como não manda em Mourinho. Nada de nada. Nem nas entrevistas. Nada. Estes tipos têm um ego terrível. São os dois uns malcriados e não veem a realidade porque podiam ambos ganhar muito mais dinheiro se atuassem de outra forma. Estes dois são uns anormais porque estamos a falar de muito dinheiro em relação aos direitos de imagem”, atacou ainda o dirigente merengue.

Pelo meio ainda houve tempo de criticar Fábio Coentrão, o português que também fez parte do plantel dos madrilenos. “É tonto, é outro que não tem cabeça porque é idiota. Ele é meio anormal, conduz sem carta. Acredita que a carta é para os outros e não para ele. O Madrid engole estes tipos. Agora mesmo está aterrorizado de jogar pelo Real Madrid”, ouve-se Florentino Pérez dizer nas gravações.

Pinto da Costa, um bom amigo? Nas gravações publicadas, desta vez datadas de 2007, pode-se também ouvir o nome de Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, e, novamente, de Jorge Mendes. Em causa estão negociações – que Pérez apelida de “estranhas” – entre o FC Porto e o Chelsea em 2004, feitas após os dragões terem conquistado a Liga dos Campeões, o que terá valido 56 milhões de euros aos cofres azuis-e-brancos.

“Mendes e Pinto da Costa sacaram o dinheiro ao russo [Roman Abramovich, presidente do Chelsea] com Mourinho, Carvalho e Ferreira, e levaram esse dinheiro para a Suíça. Alguém tem que nos dar essa pista da Suíça”, acusava Pérez.

Florentino Pérez voltou a falar sobre os negócios de Pinto da Costa, desta vez referindo-se à transferência de Pepe para os madrilenos. “Eu conheço o presidente do FC Porto. Que os 30 milhões saíram daqui [Madrid] e acabaram ali [Porto], isso é certo. Agora é preciso ver depois do banco”. “Ele [Ramón Calderón] só faz isso com o Jorge Mendes, que é o representante do presidente [FC Porto], que é o que os engana a todos”, afirmou Pérez na gravação revelada pelo El Confidencial.

Pérez acabou por esclarecer o assunto, citado pelo jornal A Bola, garantindo ter “uma magnífica relação, que sempre se baseou na amizade e no respeito, com Jorge Mendes há mais de 15 anos”, afirmando ter também uma forte relação com Cristiano Ronaldo e José Mourinho. “Também mantenho uma relação de grande amizade com Pinto da Costa”, pode-se ler ainda no comunicado.

vingança pela superliga? Segundo o próprio Florentino Pérez defende, em comunicado, a publicação destas gravações não é casual, tratando-se de uma vingança pelo seu envolvimento, e do Real Madrid, no nascimento da polémica Superliga Europeia. “Divulgar essas declarações ao fim de tantos anos leva-me a acreditar que só o fizeram devido à minha participação na criação e promoção da Superliga”, diz o dirigente.

Reações internacionais Um pouco por todo o mundo as revelações fizeram eco, e Florentino Pérez não ficou bem na fotografia. Além da forte atenção dada pelos meios de comunicação portugueses e espanhóis, também os italianos do Corriere dello Sport pegaram no assunto. Eles que têm agora, na AS Roma, José Mourinho, e, na Juventus, Cristiano Ronaldo.

Em Espanha, Alfredo Relaño, antigo diretor do jornal As, escreveu um artigo garantindo que foi abordado em três ocasiões por José Antonio Abellán com o intuito de publicar as gravações em questão, tendo rejeitado as propostas. Uma informação corroborada pela Onda Cero, que revelou que o jornalista terá contactado vários meios ao longo dos últimos anos.