Internacional

Um crime "da mais alta sofisticação". Mulher troca diamantes avaliados em quase cinco milhões de euros por seixos

A mulher diz que a pessoa que aparece nas câmaras de segurança da joalharia é a irmã que já morreu.


Lulu Lakatos, a mulher responsável pelo “crime quase perfeito” e acusada de roubar 4,2 milhões de libras [quase cinco milhões de euros] em diamantes ao trocá-los por seixos de jardim, diz que foi confundida com a irmã que já morreu.

O caso remonta a 2016, quando Nicholas Wainright, presidente do grupo de joalharia de luxo Boodles, foi apresentado a “Simon Glas”, um homem que estaria interessado em comprar diamantes. Cerca de um mês depois, Wainright encontrou-se com “Glas” no Mónaco, onde conheceu o seu suposto sócio, um russo chamado “Alexander”. Os três acabaram por fechar a venda de sete diamantes.

Lulu Lakatos, a agora acusada, foi a pessoa enviada por “Glas” e “Alexander” para avaliar as pedras preciosas. A mulher, de 60 anos, reuniu-se na sala de reuniões da joalharia com Wainwright e com a avaliadora do grupo Boodles. Depois, todo o processo foi rápido.

Pesou e examinou os diamantes, antes de os embrulhar um a um e de os colocar dentro de uma bolsa que foi fechada com um cadeado. A imprensa britânica conta que Lakatos colocou a bolsa dentro da própria mala e foi aí, aproveitando um momento de distração de Wainwright, que terá ocorrido a troca.

A avaliadora da joalharia ainda pediu que Lakatos voltasse a colocar os diamantes em cima da mesa, mas nesse momento a troca já estava feita e os verdadeiros diamantes ficaram dentro da mala.

O roubo foi pensado ao pormenor. Duas mulheres esperaram por Lakatos numa loja perto e depois a autora do crime dirigiu-se à casa de banho de um bar para trocar de roupa e saiu de Londres usando o próprio passaporte.

“Os diamantes foram roubados através de um jogo de mãos. A conspiração, em que a suspeita terá desempenhado um papel central e integrante, foi da mais alta sofisticação, planeamento, risco e recompensa possíveis”, considerou o procurador Philip Stott.

O caso só foi descoberto no dia seguinte, quando a avaliadora pediu para analisar as pedras preciosas através de uma radiografia.

Lakatos acabou por ser detida em França, através de um mandado de detenção europeu, em setembro de 2020, quase cinco anos após o crime.

Agora a mulher, de 60 anos natural da Roménia, diz que não é ela quem aparece nas imagens das câmaras de segurança do estabelecimento. Segundo declarações da sua advogada em tribunal, esta quinta-feira, “a pessoa na câmara de segurança é Liliana Lakatos, a sua irmã”.

Nas análises às peças preciosas foi possível encontrar vestígios de ADN das duas mulheres. No entanto, não será possível ouvir a versão dos factos da irmã. Liliana Lakatos, que já tinha sido condenada várias vezes por roubo e era procurada na Suíça por furto e fraude, morreu em outubro de 2019, num acidente de viação.

No julgamento foi revelado que Lulu Lakatos tem três condenações por roubo em França, anteriores a 2006. Mas a acusada diz que “mudou o seu estilo de vida”.

“Passei por um momento difícil financeiramente. Sei que é errado fazer isso”, disse aos jurados. “Parei porque estava com muito medo de continuar com a minha vida assim, então tentei encontrar outras maneiras”, acrescentou, sublinhado que agora tem trabalho como empregada de limpeza em cantinas e escolas.

A viver em França desde 1984, Lulu diz que não ia ao Reino Unido desde 2012 e que a irmã confessou que usou o seu passaporte para entrar no país, mas acredita que não tinha intenções de a prejudicar.

Dois homens – Christophe Stankovic e Mickael Jonavic – já se declararam culpados do crime de “conspiração para roubar”.