Desporto

O que há de novo nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Os tempos mudam, mas os Jogos Olímpicos  são uma constante. Por isso, o maior evento desportivo do mundo tem de se adaptar a novas realidades: em 2021, quatro modalidades vão fazer a sua grande estreia, e o baseball/softball está de regresso.


A edição de 2020 dos Jogos Olímpicos será uma das mais peculiares da história deste evento milenar. Primeiro, porque vão acontecer em 2021, e não em 2020, como inicialmente previsto. E depois, porque as bancadas vão estar completamente vazias, órfãs de apoiantes de todo o mundo e das bandeiras que cada atleta representa em campo. Dois frutos da pandemia global da covid-19 que se alastra desde março de 2020, e que não deu tréguas aos grandes eventos. Contra a vontade de 87% dos japoneses – segundo dados da agência Kyodo News – , os organizadores dos Jogos de Tóquio2020 decidiram manter vivo o evento, com várias limitações e medidas de segurança.

Mas, nesta edição dos Jogos Olímpicos, nem todas as novidades estão relacionadas com a pandemia do novo coronavírus. Por entre as 46 modalidades que formam o catálogo deste ano, há 4 novos nomes: skate, karaté, surf e escalada, para além de vários novos eventos nos diferentes desportos já existentes, com a criação do Basquetebol 3x3 e do BMX freestyle. Também é importante realçar o regresso do baseball e do softball ao programa olímpico, após um hiato que durava desde 2008.

As modalidades inseridas nos Jogos Olímpicos vão e vêm, adaptando-se aos novos tempos e aos novos interesses que surgem. Estas quatro novas entradas na lista de modalidades são um reflexo da «tendência de urbanização do desporto», disse o próprio Comité Olímpico Internacional.

 

Skate

Esta é, sem dúvida, uma das estreias mais interessantes nos Jogos Olímpicos. O skateboarding – ou skate, em forma de diminutivo – é agora um desporto olímpico.

Respondendo à primeira questão que vem à cabeça: não, Tony Hawk não fará parte do elenco norte-americano nesta modalidade. O nome principal do skate mundial conta já com 53 anos de idade e está retirado das competições internacionais. Ainda assim, o mítico skateboarder vai estar efetivamente em Tóquio, a servir como correspondente da cadeia de televisão norte-americana NBC.

Quem estará sim nesta competição, a representar as cores nacionais, é Gustavo Ribeiro, o português de 20 anos que assegurou um lugar nos Jogos após ter alcançado o terceiro lugar do ranking de qualificação.

A modalidade dividir-se-á em duas vertentes: street e park. Ambas incidirão sobre a técnica e os truques realizados pelos skaters, diferindo no tipo de espaços onde decorrem as provas.

 

Surf

Também o surf vai fazer a sua estreia oficial em Jogos Olímpicos na edição de 2020 e Portugal estará representado por três atletas. Frederico Morais foi o melhor participante europeu nos World Surfing Games de 2019, o que lhe valeu uma vaga nominal no Surf. Já Yolanda Sequeira e Teresa Bonvalot conquistaram também um lugar nos Jogos após terem sido, respetivamente, 2.ª e 3.ª classificada no Campeonato do Mundo 2021.

Os eventos de surf vão decorrer na praia de Tsurigasaki, a cerca de 100 quilómetros do Estádio Olímpico de Tóquio. Cinco jurados avaliarão o desempenho dos surfistas, que dispõem de meia hora para apanhar ondas e tentar atingir a maior pontuação possível, sendo que só contam para efeitos de classificação as duas ondas com melhor pontuação. Estarão em competição 20 homens e 20 mulheres.

 

Karaté

No ano em que os Jogos Olímpicos aterram no Japão, o karaté faz a sua estreia como desporto olímpico. Nascido em Okinawa, o karaté divide-se em várias disciplinas, das quais duas serão disputadas em Tóquio — kata e kumite. 80 atletas vão lutar pelas primeiras medalhas olímpicas em Karaté, 60 dos quais na modalidade kumite (confronto direto, face a face, em lutas de três minutos) e 20 em kata (onde os atletas são avaliados com base numa série de movimentos ofensivos e defensivos coreografados).

A modalidade é dominada por atletas japoneses, e Ryo Kiyuna, natural do sítio que viu nascer esta arte marcial, é tricampeão mundial de kata, o que o torna um dos principais candidatos à medalha olímpica.

Portugal não tem nenhum atleta nesta modalidade, e a Europa joga as suas cartas com Damián Quintero – engenheiro aeronáutico que deixou a profissão para se dedicar ao karaté –  e Sandra Sánchez, campeã mundial em 2018 e seis vezes campeã europeia, entre outros atletas.

 

Escalada

A adrenalina faz parte dos desportos radicais, e os Jogos de Tóquio vão acrescentar mais uma modalidade centrada neste tipo de atividades. Trata-se da escalada, que se dividirá em três categorias: speed, bouldering e lead. A categoria speed, como o nome indica, mede a rapidez com que um atleta consegue subir uma muralha de 15 metros de altura. Dois escaladores partem ao mesmo tempo, e o primeiro a chegar ao topo da muralha, vence.

Já no bouldering, os atletas tentam completar o maior número de rotas possível num determinado período de tempo. As boulders são estruturas de 4,5 metros de altura, com saliências íngremes.

Finalmente, a categoria de lead premeia o atleta que consiga escalar até à maior altura possível no espaço de 6 minutos, numa parede com mais de 15 metros de altura. Findas as participações nas diferentes categorias, calculam-se as pontuações e declara-se um vencedor.

Baseball/softball

A integração do baseball no programa olímpico dos Jogos de Tóquio não é bem uma estreia, mas sim um regresso. Afinal de contas, a modalidade estreou como desporto olímpico oficial em 1992 e fez parte do programa até aos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Desde então, no entanto, que não se praticou mais a nível olímpico. Agora, o desporto favorito dos norte-americanos, japoneses e habitantes das ilhas das Caraíbas está de volta aos Jogos. A modalidade está separada em baseball e softball, sendo que a maior diferença se prende com o gesto feito pelo lançador da bola, entre outras pequenas diferenças. O baseball é jogado unicamente por homens e o softball por mulheres. A premissa é simples: uma equipa defende as suas bases enquanto a outra tenta acertar na bola arremessada e alcançar as ditas bases, de forma a dar a volta ao campo e pontuar. As duas equipas vão alternando entre posição defensiva e ofensiva ao longo do jogo.

Este desporto é muito popular no Japão, datando a sua chegada do fim da II Guerra Mundial, quando milhares de soldados americanos pisaram terras nipónicas e o trouxeram consigo.

 

Modalidades que entretanto desapareceram

Adeus com o velho, venha o novo! Ou pelo menos esta parece ser a mentalidade dos organizadores dos Jogos Olímpicos, que, ao longo dos anos, foram curando o programa olímpico conforme os gostos e as necessidades tanto de atletas como da audiência. Algumas modalidades entraram, e outras saíram, e vale a pena recordar alguns dos desportos mais curiosos que já fizeram parte do programa olímpico, e que foram deixados de fora, pelo menos para já.

O críquete, por exemplo, esteve presente, pela primeira – e última vez –, nos Jogos Olímpicos de Paris, no ano 1900. Tratava-se da segunda edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, e o desporto favorito dos britânicos foi finalmente considerado digno de fazer parte deste evento, após ter sido descartado na primeira edição, realizada em Atenas, em 1896. Aliás, marcante foi a presença britânica neste desporto, sendo que a final (e único jogo) foi realizada entre o Reino Unido e a França, mas a seleção que representou os gauleses, no entanto, era composta maioritariamente por britânicos expatriados no país anfitrião.

A edição de 1900 dos Jogos Olímpicos foi uma das mais bizarras da história deste evento. Afinal de contas, a versão ‘Moderna’ desta competição, iniciada na Grécia, no século VIII a.C., e retomada em 1896 d.C., era ainda uma criança, e estava a testar as águas do que viria a ser o maior evento desportivo do mundo. Entre as modalidades fizeram parte também, pela primeira e última vez, corridas de automóveis e de motas. Até corridas de balão fizeram parte deste evento, e o Sena serviu também de palco para um percurso de natação de 200 metros com três obstáculos que os nadadores teriam de ultrapassar.