Sociedade

Diagnósticos baixam nos jovens e continuam a subir nos mais idosos

Diagnóstico em maiores de 80 anos duplicaram nas últimas duas semanas.


Os diagnósticos de covid-19 a nível nacional diminuíram na semana passada pela primeira vez desde que se iniciou a chamada 4ª vaga de covid-19. Os dados divulgados pela Direção Geral da Saúde, que o i analisou, permitem no entanto perceber que tal se deve sobretudo à diminuição de diagnósticos na faixas etárias mais novas – a faixa etária dos 20 aos 29 anos, que concentra o maior número de diagnósticos, foi a que registou a maior quebra (-6%). Nos mais velhos, maiores de 80, os diagnósticos duplicaram nas últimas duas semanas e na semana passada voltaram a ser diagnosticados 563 casos nesta faixa etária (+31%), onde se verifica o maior número de mortes mesmo com 95% dos octogenários com as duas doses da vacina. O mês de julho ficou marcado por um aumento significativo dos óbitos em relação ao mês passado, tendo já atingido as 200 mortes (em junho houve 76 óbitos).

Com quase 73 mil casos de covid-19 diagnosticados desde o início do mês, julho compara com outubro do ano passado ou fevereiro desde ano, ambos com muito mais mortes atribuídas à covid-19 – em outubro morreram 567 pessoas com covid-19 no país e em fevereiro, depois de mais de 300 mil casos em janeiro, houve 3594 mortes. Faziam-se a nível nacional menos testes do que têm sido feitos nas últimas semanas, o que pode interferir com os rácios de letalidade, que ainda assim parecem estar a baixar.

Na reunião desta terça-feira no Infarmed, Ausenda Machado, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, vai apresentar dados sobre a efetividade da vacina contra a covid-19 em Portugal.

Nas últimas semanas, a DGS não tem fornecido à imprensa dados de hospitalizações e óbitos entre pessoas vacinadas. Segundo os relatório semanais divulgados pelo Public Health England, após duas doses da vacina e já para a variante delta, que agora domina, a estimativa é que após duas doses haja uma eficácia de 96% na proteção de ter doença grave ao ponto de precisar de ser hospitalizado. Os ingleses estimam que até 11 de julho, a vacinação tenha prevenindo 52 600 hospitalizações em maiores de 65 anos. Estimam igualmente que as vacinas tenham evitado 36 900 mortes no país e 11,7 milhões de infeções.

O balanço da situação epidemiológica vai estar a cargo de André Peralta Santos, da DGS, e de Ana Paula Rodrigues, do INSA. Com a evolução dos últimos dias, a incidência a nível nacional baixou ligeiramente para os 436 casos por 100 mil habitantes a 14 dias. O Algarve continua a registar a maior incidência, rondando os 930 casos por 100 mil habitantes, mas foi a região com a maior quebra de diagnósticos na última semana. Os casos mantiveram-se a subir apenas na região Norte (+2,5%) e no Alentejo (+25%).