Economia

FMI. Previsão de crescimento mundial mantém-se em 6%

FMI alerta para o aumento das disparidades entre países.  Nova atualização não isola Portugal, mas aponta para números para a zona euro, onde prevê um aumento de 4,6% em 2021.


O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve a previsão de crescimento mundial de 6%, em 2021, no entanto, alerta para o aumento das disparidades entre países e para a ausência de vacinas que abranda a recuperação dos países emergentes. As economias mais desenvolvidas devem registar este ano um crescimento de 5,6% (mais 0,5 pontos do que o previsto em abril), de acordo com as novas previsões económicas do FMI.

Portugal não está incluído nesta nova previsão, mas aponta para o crescimento da zona euro que deverá crescer 4,6% em 2021 e 4,3% em 2022, ou seja, mais duas décimas e cinco décimas face às últimas previsões.

Feitas as contas, os países emergentes devem registar um crescimento forte de 6,3%, mas as perspetivas são revistas em baixa (de 0,4 pontos), o que se deve principalmente à Índia, penalizada pela variante Delta da covid-19.

O aumento dos preços observado no mundo inteiro está ligado a fatores essencialmente temporários, salientou o FMI, advertindo, no entanto, para os riscos de esta inflação persistir mais do que o esperado. “A recuperação mundial da economia continua, mas com um crescente fosso entre economias avançadas e muitos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, disse a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath.

Em relação aos Estados Unidos, o FM aponta para um crescimento de 7% este ano, o que representa uma subida de mais seis décimas do que o previsto anteriormente, e 4,9% no próximo, mais 1,4 pontos percentuais. Estas revisões em alta devem-se aos estímulos orçamentais adicionais da administração Joe Biden que vão chegar no segundo semestre deste ano e a melhoria da situação epidemiológica no país.

Inflação em alerta

O FMI reconhece que há pressões nos preços, mas estas refletem desenvolvimentos relacionados com a pandemia, os quais são transitórios. “Espera-se que a inflação volte aos intervalos pré-pandemia na maioria dos países em 2022”.
O FMI considera que os bancos centrais devem evitar apertar a política monetária até existir mais certezas sobre as dinâmicas de preços. “Uma comunicação clara por parte dos bancos centrais sobre as perspetivas da política monetária será crucial para moldar as expectativas e salvaguardar contra um aperto prematuro das condições financeira”, diz nas previsões. 

Mas deixou um alerta: “A incerteza mantém-se elevada”. Até porque, mais uma vez, a história pode ser outra para as economias emergentes em que a inflação pode manter-se elevada por causa da subida dos preços da comida. O FMI assume que há o risco das pressões transitórias tornarem-se mais persistentes, o que levará a uma ação mais preventiva por parte dos bancos centrais.